Mariana: os danos nos rios são irreversíveis.

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A avalanche de rejeitos gerada em Minas Gerais pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, controlada pela Vale e a australiana BHP, causou danos ambientais imensuráveis e irreversíveis. Apesar da lama não ter um teor tóxico, ela pavimentou os mais de 500 km por onde passou devastando, com impacto ainda difícil de calcular completamente para grande parte do ecossistema da região. “Podemos dizer que 80% do que foi danificado lá é perda, não há como pensar em um plano de recuperação ambiental”, explica Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão. O projeto ambiental, da Universidade Federal de Minas Gerais, monitora a atividade econômica e seus impactos ambientais nas bacias hidrográficas e trabalha com a revitalização dos principais rios mineiros.

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Homem carrega caixão de Emanuele, 5, vítima da tragédia. / RICARDO MORAES (REUTERS)

 

Em entrevista, ele afirmou que a mineração precisa ser reinventada: “Não podemos continuar pensando que podemos fazer modelos do século XVIII em situações do século XXI”.

Pergunta. Qual a dimensão do estrago ambiental causado pelo rompimento das barragens?

Resposta. É de uma magnitude que eu diria imensurável a princípio. Há várias situações. A extensão do dano é tal que estamos com a lama chegando na foz do Rio Doce, no Estado do Espírito Santo, a mais de 500 km do local do rompimento da barragem. A avalanche de lama rompeu e despejou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Apesar dessa lama não ter aparentemente uma composição tóxica do ponto de vista químico, a densidade por si é altamente impactante, porque ela foi fazendo um tsunami de rejeitos que por todos os lugares em que passou devastou, matou e impactou. Uma mesma onda produziu três efeitos. Ela devastou, já que arrebentou tudo que viu pela frente, ela impactou porque se consolidou, não foi passageira, se espalhou ao longo de todo esse trajeto. Ela praticamente produziu os três efeitos simultaneamente.

P. E como fica o ecossistema?

R. A onda foi pavimentando o trajeto, porque aquilo é uma massa com certa densidade, não é essa lama de enchente que é mais rala, ela tem densidade e uma liga, dessa forma foi pavimentando onde passou. Ela ocupou tanto o leito do curso d’água como as margens. Dependendo da região, chegou a uma faixa de 50 a 100 metros para além da borda do rio. As comunidades que estavam no caminho perderam todas as suas propriedades, perderam seu meio de vida, porque tinham pequenos agricultores que tiveram as fazendas devastadas, sem contar todo o prejuízo do ecossistema que substituído. Imagina que o ecossistema aquático foi totalmente ocupado por esse material de rejeitos.

P. E qual situação dos rios da região?

R. Essa tsunami toda chegou rapidamente aos rios. A lama saiu de um afluente, que era o Gualaxu , passou para o Rio do Carmo e atingiu o Doce que é o rio principal, que configura a bacia. Então foi descendo rio abaixo, trazendo outros efeitos, matando todos os peixes já que a densidade da lama retirou o oxigênio da água. Há cenas chocantes de peixes pulando para fora da água. Um quadro absolutamente tétrico, horrível, inimaginável. O rio Doce tinha uma biodiversidade bem diversificada, cerca de 80 espécies diferentes. Todos os sistemas se interligam, tem espécie no fundo do rio outro debaixo de pedra, isso foi tudo alterado, são danos imensuráveis, porque o que perdeu em cada metro que a onda passou é absurdo, você perdeu e terá um reflexo na qualidade e quantidade da diversidade aquática que sobreviveu.

P. Há uma previsão de recuperação do rio Doce?

R. No caso do rio Doce, como ele é maior, como tem outros afluentes, isso ajuda na recuperação. Acho que em 10 anos talvez ele consiga ter um padrão melhor, mas mesmo assim, dada a dimensão, ainda é uma estimativa que não vai ter como medir.

P. E as comunidades ribeirinhas qual a extensão do dano?

R. Todas as comunidades também ao longo do curso da água tiveram seu abastecimento comprometidos. Quanto mais próximo do rompimento, maior o comprometimento. Essas comunidades vão ficar sem água potável por um tempo que a gente ainda não dá para calcular. Como a intensidade foi diminuindo ao longo do percurso, existe uma tendência que o rio Doce em alguns pontos melhore essa qualidade de uma forma mais rápida. Talvez no prazo de uma semana a água possa ser tratada e distribuída para a população. Mas, em compensação, esse material foi todo sedimentando ao longo do rio. E essa situação pode piorar no próximo período das chuvas, já que grande parte do material que foi despejado pela lama de resíduos vai ser levado para dentro do rio, contribuindo de uma forma absolutamente incalculável para o assoreamento do rio Doce, de importância nacional que esse ano já teve dificuldade para conseguir chegar até a foz nesse época de seca.

P. Ou seja a chuva criaria uma nova enxurrada de lama?

R. Sim, pois a chuva vai lavar tudo que está pavimentado. Dessa forma, o monitoramento das águas do rio Doce terão que ser muito frequentes para garantir a qualidade da água e a saúde das pessoas que moram no entorno da região.

P. Há alguma possibilidade de retirar essa lama concretada antes do período chuvoso?

R. Sem chance. Imagina tirar 62 milhões de metros cúbicos de resíduos que se espalharam numa distância de mais de 100 km? Não há como retirar esse material, nem para onde levar. Como isso foi feito ao longo do rio, há lugares que você nem tem acesso. A realidade é que tivemos danos ambientais irreparáveis. Quem vê dá televisão não tem dimensão da real situação do que foi essa situação. Esses danos são irreversíveis. Podemos dizer que 80% do que foi danificado lá é perda, não há como pensar em um plano de recuperação ambiental. Não existe. Esse acidente vai ficar para sempre na história de Minas, será sempre uma cicatriz da questão ambiental do Estado e um alerta para que realmente a gente faça uma gestão ambiental comprometida com a vida e com o meio ambiente. A economia é importante para gerar riqueza, mas ela não tem juízo. Se nós não começarmos a ter mais juízo nessas práticas que a gente faz, nós não vamos ter salvação. Imagina o custo disso além das perdas de vida, de ecossistema, o próprio custo econômica para todos, inclusive para o próprio Estado, é absolutamente impensável você continuar fazendo uma gestão temerária como temos feito no meio ambiente ao longo da história.

P. Na sua opinião falta fiscalização no setor?

R. Nos últimos 14 anos, já tivemos cinco rompimentos de barragens de magnitude não tão grande como essa, mas que foram impactantes. O que mostra que o nosso sistema está equivocado. Primeiro de tudo temos que entender que isso não foi uma fatalidade, não foi terremoto, cataclismo, isso diz de um projeto. E projetos são de responsabilidade da empresa, isso diz da empresa e da falta de monitoramento do Estado. Falta fiscalização, sim. Imagina em um desastre dessa proporção não havia nenhum plano de contingência, sequer um alarme. Se não fosse por pessoas heroicas anônimas que saíram correndo e avisando sobre o rompimento das barragens, o número de vítimas seria absolutamente maior. Se tivesse acontecido às 4h da manhã então, o efeito dessa tragédia teria quintuplicado. Isso diz muito de uma insustentabilidade ambiental no Estado. Isso desmascara, fala contra tudo aquilo que aparentemente se tenta produzir de propaganda e efeito. Mas um acidente desse porte não existe apenas uma causa, o que tem é uma cadeia de causas. O evento final pode ter sido uma fissura na barragem, mas começa lá trás, no planejamento, no modelo de mineração, no monitoramento e na fiscalização, tudo equivocado. Um conjunto de fatos tem que ser esclarecidos para que Mariana não seja apenas mais um quadro na parede. Ou começamos outro modelo ou vamos continuar enterrando biodiversidades, pessoas e histórias.

Fonte: El País

STF abre inquérito contra ex-ministro dos Transportes faxinado por Dilma

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Afastado do Ministério dos Transportes na chamada “faxina” que marcou o início do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, o deputado Alfredo Nascimento (PR-AM) virou alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que vai investigar irregularidades durante sua passagem pela pasta.

O ministro do STF Luiz Edson Fachin atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República e autorizou a abertura de investigação para apurar a contratação de duas empresas que são apontadas como fantasmas. Elas teriam contratos com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e a Valec (estatal federal que cuida de ferrovias).

Segundo a Procuradoria, “há notícias de que o desvio de recursos públicos e as fraudes a licitações no âmbito do Ministério dos Transporte e órgãos a ele ligados, como o DNIT e a Valec, eram permitidos em troca de pagamento de propina a dirigentes e integrantes do PR”, presidido pelo deputado.

Alfredo Nascimento foi ministro dos Transportes nos governo Lula e Dilma. Ele deixou o cargo em 2011, ao lado de outros integrantes da cúpula do PR na pasta, depois da crise no setor, quando surgiram suspeita do esquema de superfaturamento em obras envolvendo servidores da pasta.

O afastamento dos nomes ligados ao PR durou alguns anos, até integrantes do partido serem restabelecidos no setor diante de crises que abalaram a relação de Dilma com a base no Congresso.

SUSPEITAS’

Segundo a Procuradoria, há indícios de que as empresas Alvorada Comercial e Serviços Ltda. e TechMix seriam meramente “de fachada”, muito embora tenham sido contratadas para fornecer mão de obra em áreas estratégicas.

Em relação à Tech Mix, o Ministério Público argumenta que a modalidade de contratação (pregão eletrônico) foi inadequada e que “a empresa teria apresentado um atestado de capacidade técnica falso na fase de classificação e fornecido uma carta fiança irregular”. Outro ponto é que “parte dos empregados contratados (…) não atendiam os requisitos exigidos no edital”.

A segunda suspeita é de que a empresa Alvorada foi contratada indevidamente indevidamente, com dispensa de licitação, e que há indícios de conluio entre as empresas que encaminharam as propostas, sendo que uma mesma pessoa figura como sócio de ambas empresas.

O deputado nega ligações com esquemas de corrupção nos Transportes. AFolha não localizou o congressista neste domingo para comentar a abertura de inquérito.

Outros dois inquéritos envolvendo Alfredo Nascimento por suspeita de irregularidades nos Transportes já foram arquivados no STF por falta de provas. Em 2013, então senador, Alfredo Nascimento usou a tribuna do Senado para comemorar o que chamou de fim das investigações de um dos casos pela Procuradoria.

Folha de São Paulo – MÁRCIO FALCÃO – DE BRASÍLIA

Foto: Alan Marques/Folhapress

Para especialista da saúde quântica, pílula da USP contra câncer é revolucionária

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O professor e terapeuta Wallace Lima afirma que o medicamento contraria os interesses da indústria farmacêutica. Tema terá destaque no 4º Simpósio Internacional de Saúde Quântica e Qualidade de Vida, a ser realizado em Brasília.

A distribuição a preços populares da substância fosfoetanolamina, descoberta pela USP São Carlos e que teria propriedades capazes de curar o câncer, ganhou o apoio de uma rede de cientistas adeptos da Saúde Quântica, que emprega um novo modelo de tratamento, voltado para o acompanhamento integral do paciente.

Um dos maiores expoentes da área, o professor e terapeuta Wallace Lima ressalta que a substância é revolucionária. “A descoberta USP é bioidêntica e reproduz o mecanismo natural de defesa do próprio corpo. É um medicamento que contraria os interesses da indústria farmacêutica, porque é barato e já se mostrou eficaz. É uma vitória da ciência e da sociedade a decisão da Justiça de permitir que vidas continuem sendo salvas”, aponta ele.

O professor comemorou a divulgação da Universidade de São Paulo de que irá entregar os medicamentos, via correio, a todos os 742 doentes que conseguiram decisão liminar da Justiça. “Um dos princípios da Saúde Quântica é o de desencarecer o tratamento, possibilitando a todos uma vida saudável e equilibrada. Por isso, a distribuição dessa pílula conta com todo o nosso apoio”, disse, destacando que o apoio será reiterado durante o 4º Simpósio Internacional de Saúde Quântica e Qualidade de Vida, que será realizado entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro, em Brasília.

Com relação ao posicionamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, que pretende apelar ao Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a distribuição, Wallace disse lamentar. Ele lembrou que até meados do ano passado a legislação permitia que em alguns casos as pessoas usassem medicamentos que estavam em fase de desenvolvimento. Desde o ano passado, porém, qualquer droga experimental precisa da aprovação da Anvisa para ser testada. “O ritmo de aprovação segue os interesses da indústria farmacêutica. Enquanto a fase burocrática não é vencida, as pessoas perderam o direito de continuar um tratamento que já faziam”, explica.

A Saúde Quântica preza pela harmonia e equilíbrio do organismo. “Buscamos métodos que ajam de maneira integral e métodos naturais, atendendo aos aspectos físicos, mentais, emocionais e até espirituais dos pacientes”, observa o terapeuta.

Programação

O IV Simpósio Internacional de Saúde Quântica e Qualidade de Vida vai debater saúde, física quântica, neurociência, epigenética, terapias integrativas e espiritualidade. O encontro reunirá médicos, terapeutas e cientistas do Brasil e do mundo de 31 de outubro a 1º de novembro. Entre os convidados, está o indiano PhD em física quântica e um dos pesquisadores do filme “Quem somos nós?”, Amit Goswami, o Dr. Cícero Coimbra, médico que utiliza a Vitamina D no uso de doenças autoimunes e a Dra. Eleanor Luzes , psiquiatra criadora “Ciência do Início da Vida”, que mostra a importância de uma série de cuidados durante a gestação. A teoria implica em respostas importantes como a queda da mortalidade infantil. No Simpósio, serão debatidos o modelo de saúde integral e os avanços de novas tecnologias e terapias focadas na prevenção de doenças e na promoção da saúde.

Mais informações em portalsaudequantum.com.br.

Ouvido por 89% dos brasileiros, rádio aposta em tempo real e interatividade.

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Já decretaram seu fim diversas vezes, meras “barrigadas”. Foi assim com a chegada da televisão e com o crescimento da internet. Mas é claro que, como um senhor de noventa e poucos anos, o rádio teve que entender que a sociedade mudou. “Não era assim na minha época”, diria como a maioria dos avós. Como alguém que já viu e viveu de tudo um pouco, usou a experiência para se unir a todas as “ameaças”.

Começando pelo fato de ser onipresente. Está no ônibus a caminho do trabalho, na cozinha de casa, no jogo de futebol ou no carro parado no trânsito. Além disso, é como aqueles tios “moderninhos” que descobriram o áudio no WhatsApp ou o emoticon no Facebook. Usa o streaming, podcast, SMS, redes sociais e tudo o que tem direito.

 “A internet potencializou atributos que o rádio possui há várias décadas, como interatividade, segmentação e mobilidade. A rede social já está totalmente inserida na dinâmica das emissoras que desejam estar ainda mais conectadas com as suas audiências, indo além do dial”, diz Fernando Morgado, professor, jornalista, escritor e integrante da equipe responsável pelo projeto de branding da Rádio Globo.

Se os meios de comunicação fossem pessoas, o rádio seria o amigo; o jornal, o professor; a revista, a celebridade; a televisão, a família e a internet, a namorada. Segundo um estudo de mídia realizado pelo Instituto Ibope, o rádio está sempre por perto e representa distração e companhia. Maior do que a população de países como Espanha, Coreia do Sul, Argentina ou Canadá: esse é o alcance do meio no Brasil, levando em conta as 13 principais regiões metropolitanas. Em números reais, são 52 milhões de brasileiros.

Aliás, números não faltam para a CBN. Com quatro emissoras próprias e 29 afiliadas, o pico de audiência no offline, somente nas praças próprias, representa duzentos mil ouvintes/minuto entre as 7 e 9 horas, com alcance de dois milhões de pessoas em trinta dias. São 1,3 milhão de visitantes únicos por mês no site, 450 mil usuários somente em iPhone, cinco milhões de downloads por mês em podcast e setecentas mil curtidas no Facebook.

“Se você imaginar quais são os dois grandes atributos de qualquer mídia encontrará tempo real e interatividade. São duas características que se confundem com o rádio. Em tempos de mexida no mercado, ele ganhou com a internet, acabando com a questão da barreira geográfica. O internauta consome da maneira que for mais conveniente. Outra coisa é que não se paga para ter informação, num mundo onde as pessoas querem informação de graça”, comenta Mariza Tavares, diretora-executiva da CBN.

Convergência

Os jornalistas são como “embaixadores” da emissora. A CBN incentiva os profissionais a usarem seus próprios perfis nas redes sociais. Tania Morales, Milton Jung, Fabíola Cidral, Petria Chaves são usuários assíduos. “O ouvinte quer alguém de carne e osso, o vínculo que se cria é mais forte”, ressalta Mariza. Partindo para o lado visual, uma das grandes apostas da Jovem Pan para este ano é a imagem.

De acordo com Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, presidente da emissora, a partir de outubro todos os estúdios da JP estarão com câmeras e os programas poderão ser vistos e ouvidos nos iPads, iPhones e computadores, por meio do site e do aplicativo. “Acho que a internet tem sinergia com o rádio, por isso foi o meio menos afetado por ela. Pesquisas americanas mostram que ele utilizou a internet para se comunicar melhor com os ouvintes.”

Ao mesmo tempo, o presidente da JP acredita que o rádio “volta para o passado”, com mais notícias, programas, talk shows e prestação de serviço. “Vão sobrar poucas rádios musicais até pela força dos aplicativos como o Spotify, mas isso ainda demora no Brasil”, completa. Morgado corrobora com a previsão. Segundo ele, independentemente do estilo de programação que adotam, nota-se claramente um investimento maior em conteúdo falado, seja informativo ou de entretenimento. “Ao contrário da música, a fala é um conteúdo de propriedade das emissoras, que, por isso, têm liberdade total para difundi-lo em qualquer plataforma e gerar novos negócios a partir dele.”

Apesar de ser uma aposta frequente, o professor pondera que o conceito podcast ainda é pouco difundido no Brasil, ao contrário da “era de ouro” que vive nos Estados Unidos. Como exemplo, cita o “Serial”, spin off do programa “This American Life”. Cada episódio tem a duração que a história exige e os áudios são enriquecidos por textos, fotos, vídeos e infográficos.

Tecnologia

O assunto que vem se estendendo desde 2013 é a migração de AM para FM. Foi neste ano que a presidente Dilma Rousseff (PT) assinou um decreto que permitiu a transição – não obrigatória – dos veículos. Segundo Luis Roberto Antonik, diretor-geral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), essa é uma das principais prioridades. De 1.781 rádios, 1.386 (78%) concordaram com a mudança. Dessas, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) concluiu que 1.100 podem migrar imediatamente dentro da frequência 88-108. Os canais 5 e 6 da televisão poderão ser usados para a transmissão das rádios remanescentes.

Na contramão, a Noruega se tornará, em janeiro de 2017, o primeiro país do mundo a tirar do ar o sinal FM. O Ministério da Cultura do país afirmou que a digitalização gerará uma economia anual de cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 75 milhões). Enquanto isso, o processo no Brasil está em “stand-by”. De acordo com Marcelo Goedert, especialista em rádio e representante no Brasil do Consórcio Digital Radio Mondiale (DRM), a implantação envolve basicamente três fatores: transmissores, conteúdo e receptores. Uma das dificuldades, segundo o especialista, é a definição do sistema/padrão a ser adotado no Brasil, além de não ser uma prioridade para o governo. Os candidatos são Digital Radio Mondiale (DRM) e HDRadio.

 “O maior impacto seria no interior, onde o acesso à internet é limitado ou inexistente. O rádio digital poderá levar para áreas remotas do país conteúdos ilimitados, áudio de qualidade, textos, imagens. Em todo o mundo não vemos uma ‘transição’, e sim uma implantação sem previsão de desligamento do analógico, uma situação denominada de simulcast”, explica Goedert.

Segundo o especialista, o país que possui mais emissoras em rádio digital são os Estados Unidos, que iniciaram a implantação em 2003 e 17% das suas emissoras FM e 6% das OMs também transmitem no sistema HDRadio. A Índia, que deu os primeiros passos em 2011, hoje tem 96% do seu território coberto pelo sinal DRM.

Para Pedro Vaz, professor e gerente da Gazeta AM, o futuro do rádio é certo: a linguagem voltada para os ouvidos. “Seja pela transmissão em qualquer meio tecnológico. Foi assim e continua sendo pelo aparelho de rádio tradicional, pelos PCs, pelos telefones móveis e outros instrumentos afins desenvolvidos para a transmissão do som, como os podcasts”.

Gabriela Ferigato

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