SAIBA QUAIS SÃO OS EFEITOS DAS ELEIÇÕES NOS EUA PARA A ECONOMIA BRASILEIRA


Democrata Hillary Clinton e republicano Donald Trump

A democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump disputam os votos dos eleitores nesta terça-feira (08). No Brasil, especialistas apontam que as incertezas sobre o cenário externo podem ter impacto sobre o câmbio, o que pode gerar efeitos sobre a inflação e a taxa de juros. Economistas também citam dúvidas sobre acordos comerciais e apontam que pode haver atraso na retomada do crescimento da economia brasileira.

O cenário em que a candidata democrata seria escolhida como substituta de Barack Obama é entendido como continuidade da atual política econômica norte-americana, analisam os especialistas. Eles apontam que isso seria benéfico para o Brasil.

“Hillary é a continuidade. Então, o Brasil se beneficia da estabilidade do cenário. Na situação que nós estamos passando, precisamos de um cenário externo mais estável para o nosso processo de recuperação econômica”, diz Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management.

Rafael Cortez, cientista político, também analisa a vitória da democrata por esse aspecto. “O mundo deixa de ser uma variável que vai gerar barulho. Com Hillary ganhando, o Brasil vai ficar mais voltado para resolver os seus problemas domésticos. ”

Para o mercado, Cortez afirma que o efeito da vitória democrata seria positivo no curto prazo pela “interrupção do ‘risco Trump’, que é percebido como mais significativo”, mas ressalva que ainda há percepção de risco a médio e longo prazo. “A despeito das fortes críticas a Trump, Hillary também representa, em um certo sentido, algum risco para a economia, especialmente devido ao atual momento político bastante conturbado norte-americano.”

Sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos, Vieira aponta que uma vitória de Hillary “não muda nada”. “Continua a perspectiva de elevação gradual e avaliação da normalização da política monetária norte-americana.”

O mercado monitora pistas sobre a decisão do Federal Reserve sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos porque taxas mais altas poderiam atrair para o país recursos aplicados atualmente em outros mercados, motivando assim uma tendência de alta do dólar em relação a moedas como o real.

Trump

Cortez aponta que uma eventual vitória de Trump teria como efeito imediato um aumento da volatilidade dos mercados e da percepção de risco. “Pode ter um pouco de estresse até o mercado entender o que vai sair do discurso populista e exagerado e vai se transformar em agenda de governo.”

Vieira analisa que o principal temor do mercado em relação a Trump é a incerteza. “Esse excesso de dúvida que ele traz para o mercado é o que talvez assuste mais do que qualquer outra coisa”, analisa. “As ideias dele são muito soltas, o plano econômico é confuso. E ele mesmo não tem domínio do que seria o plano econômico. É difícil entender o que ele quer. ”

Para o Brasil, os efeitos de uma vitória de Trump devem ser negativos no que se refere a acordos comerciais, diz Vieira. “A política externa dele seria a mais protecionista possível. E o Brasil está em um momento de tentativa de alinhar novos acordos comerciais, principalmente com as economias centrais, entre elas os Estados Unidos”, comenta Vieira.

“Um contexto de Donald Trump pode atrapalhar isso muito, em diversos sentidos: não só em relação aos próprios acordos que o Brasil tem a fechar com os EUA, mas também com outras economias centrais. Isso porque elas podem tomar uma posição mais defensiva por conta da situação”, complementa.

Sobre os juros, Cortez afirma que o aumento da percepção de risco poderia afetar a decisão do Fed sobre os rumo dos juros nos EsUA. “O Fed emite sinais crescentes de que deve fazer o aumento da taxa de juros. Mas, eventualmente, com essa turbulência, pode ser mais conservador.”

Fonte: AG

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