TRÊS CAIXAS D’ÁGUA: O RETRATO DO DESCASO


TRÊS CAIXAS D’ÁGUA: O RETRATO DO DESCASO

Há tempos venho denunciando o uso indevido do espaço histórico do entorno das Três Caixas D’água, ali são realizadas feiras diversas (livros, flores e até de automóveis), funcionou por um longo tempo base de acampamento de um sindicato, local de partida e chegada de todo tipo de festa, dos carnavais às religiosas, tudo sem nenhum cuidado ou respeito ao que aquele espaço representa. Ultimamente tem servido de ESTACIONAMENTO, isto mesmo, estacionamento para automóveis, alguns até carros oficiais.

Não é surpresa a notícia de que a Defesa Civil de Porto Velho interditou o local devido ‘problemas estruturais” em uma das bases, apesar de ter sido detectado em apenas uma das caixas, o descaso social sofrido pela estrutura centenária certamente irá afetar todo o complexo.

As três caixas d’água, vindas em módulos metálicos dos Estados Unidos, foram montadas onde hoje se dá o cruzamento das ruas Carlos Gomes e Rogério Weber, na atual praça do mesmo nome, que atinge pelo lado oeste a rua Euclides da Cunha.

Pátio das Três Caixas D’água servindo de estacionamento. Foto: Célio Leandro

Pátio das Três Caixas D’água servindo de estacionamento. Foto: Célio Leandro

A primeira foi erguida em 1910 e as outras duas em 1912. Foram projetadas e construídas pela Chicago Bridge & Iron Works, de Chicago conforme informações contidas em placa de ferro fundido, cravadas nas pilastras de cada uma delas.

São três tanques de forma cilíndrica, cobertos com chapas de metal de forma cônica, e a base em formato côncavo. Cada tanque está elevado do chão por quatro colunas de ferro feitas em treliça sobre fundação de concreto. Estão circundados à altura do bojo, por uma passarela com parapeito metálico de treliça por onde se chega através de uma escada.

Cada reservatório possui capacidade para 200.000 litros e serviram para abastecer a cidade de Porto Velho até o ano de 1957, funcionando por ação da gravidade.

Bem mais que uma estrutura metálica, este símbolo representa a origem de nossa sociedade, Porto Velho cresceu em suas sombras, preservar é um ato de respeito aos que trabalharam e morreram para moldar o que somos hoje, é um ato de respeito às futuras gerações que poderão vivenciar verdadeiros feitos heroicos responsáveis por nossa base social.

É claro que não podemos ser contra o progresso, ou esperar que tudo continue para sempre como está, pois o desenvolvimento não pode ser parado. É evidente que nossas cidades devem se modernizar, que novas construções devem surgir e a paisagem mudar, mas o que não deve nunca deve ser deixado de lado é a preservação do patrimônio histórico, pois ele representa a materialização da nossa história e da identidade cultural coletiva. A perda do patrimônio representa a perda da história e da identidade, o que pode ser preocupante, pois a história do nosso município e do local onde moramos é única e insubstituível, e a destruição das suas representações materiais representa o esquecimento de parte da nossa identidade cultura, e esquecer nossa cultura é esquecer quem somos.

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