Superada a denúncia, governo Temer acelera agenda econômica


Antes mesmo de ser encerrada a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), rejeitada pelos deputados por 251 a 233 votos, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já havia tomado as rédeas das negociações para a retomada das votações dos projetos econômicos do governo. Maia chamou para uma reunião em sua casa o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, para definir as prioridades da agenda após a votação da denúncia.

Depois de ter esticado a corda na relação com Maia, o Palácio do Planalto busca agora deixar nas mãos do deputado a condução da retomada das discussões sobre a reforma da Previdência, paralisada há mais de cinco meses. A estratégia do governo é não bater de frente com o presidente da Câmara para tentar destravar a votação dos projetos.

Paralelamente, a equipe econômica começa a rediscutir medidas de estímulo à economia. Duas já estão em ritmo acelerado: a liberação, no primeiro trimestre de 2018, de uma nova rodada de saques do PIS/PASEP, e a privatização da Eletrobras.

A prioridade do governo continua sendo a reforma da Previdência, mesmo que enxuta. O Palácio do Planalto tem de acertar também o envio até o dia 30 deste mês do pacote de medidas de ajuste fiscal para reforçar as receitas do Orçamento de 2018. Sem essas medidas, a situação das contas públicas no ano que vem ficará mais difícil.

Maia e a equipe econômica vão fechar um novo calendário. A partir daí, serão retomadas as negociações com parlamentares, segundo fontes do governo. Michel Temer sancionou – na véspera da votação e com menos vetos do que os recomendados pela Fazenda – a MP do refinanciamento das dívidas tributárias (Refis) para atender parlamentares. Ontem, o deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG) disse, pelo Twitter, que o governo vai editar na segunda-feira outra MP prorrogando o prazo de adesão ao programa para o dia 14 de novembro.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), inicialmente contrário à extensão do prazo – mais uma concessão aos parlamentares – indicou que deve concordar. “Pode ser prorrogado, mas existem algumas questões que têm de ser definidas”, afirmou, após participar de evento em Brasília. A adesão terminaria no próximo dia 31.

Segundo o ministro, cálculos indicam que a arrecadação do programa neste ano ficará em sete bilhões de reais. A última previsão oficial era de 8,6 bilhões. Meirelles ressaltou que a arrecadação de impostos está crescendo, o que poderá compensar a diferença.

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