Saiba mais sobre o primeiro carro da Xiaomi e por que ele não é uma realidade tão distante do Brasil


Na semana passada, a Xiaomi anunciou uma parceria um tanto quanto inusitada com a FAW, uma das maiores fabricante de carros da China. Desta colaboração, surgiu uma versão especial do Besturn T77, um veículo da categoria SUV que, assim como os smartphones da fabricante chinesa, possui um dos preços mais competitivos do mercado. Como a novidade causou certo furor entre os leitores do Olhar Digital, fomos buscar mais informações sobre o modelo e, ao contrário do que possa parecer, a possibilidade de chegada de carros como essa SUV da Xiaomi ao país são bastante realistas.

Caso você tenha perdido o evento, em comemoração aos nove anos de empresa, os executivos da Xiaomi fizeram o lançamento de dois modelos personalizados da SUV Besturn T77, que também pode ser chamada de Bestune T77. Este carro foi montado e produzido pela FAW, um dos quatro grandes grupos automotivos da China, que pertence ao Estado e que ficou conhecida mundialmente como “a Volkswagen chinesa”. A Xiaomi, considerada “a Apple chinesa”, ficou responsável pela personalização do sistema de tecnologia aplicado ao painel do carro.

Desta forma, a Besturn T77 é um dos carros esportivos compactos mais modernos no quesito AIoT (Inteligência Artificial aplicada à Internet das Coisas). Para se ter uma ideia, a fabricante desenvolveu um assistente virtual holográfico, que está posicionado no centro do painel do veículo e é capaz de auxiliar as pessoas com informações sobre o status do automóvel, as rotas de navegação, a previsão do tempo e, claro, funciona em conjunto com outros aparelhos da Xiaomi para o controle de eletrodomésticos inteligentes. Desta forma, quem está dirigindo pode ligar o ar-condicionado de casa antes mesmo de abrir o portão da garagem.

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Xiao AI, o assistente holográfico do Bestune T77

Contudo, o sistema de IA que a Xiaomi trouxe ao Besturn T77 vai além desta aplicação conhecida dos assistentes no universo dos smartphones, segundo Jomar Napoleão, consultor da Carcon Automotive: “Esses sistemas visam fornecer ao motorista informações dinâmicas que o ajudam em situações de risco como, por exemplo, sistemas de monitoramento (informando potenciais riscos de acidente) e detecção facial de fadiga. O objetivo final destes sistemas é a direção autônoma.”

O modelo T77 foi anunciado em novembro de 2018, pela FAW, e também conta com recursos próprios da montadora, como retrovisor eletrônico, monitoramento de ponto cego, radar frontal e sistema start-stop que desliga o motor de forma automática após alguns segundos parado. Contudo, apesar da FAW desenvolver carros elétricos, o Besturn personalizado pela Xiaomi é um modelo convencional, com motor 1.2 turbo, de 143 cavalos e câmbio automatizado de dupla embreagem e 7 marchas, que chega a velocidade máxima de 181 km/h.

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Painel inteligente da Xiaomi desenvolvido para o modelo customizado do Bestune T77

Como já informamos na semana passada, a SUV Besturn T77 personalizado pela Xiaomi será vendida apenas na China e em duas versões. A mais acessível custa 124.800 yuans e o modelo com recursos adicionais 135.800 yuans. Convertendo os valores para a moeda nacional, isso seria o equivalente direto a R$ 71.635 e R$ 77.949, respectivamente.

Agora, olhando para as características mecânicas, tecnológicas e de preço, será que um carro como essa SUV assinada pela Xiaomi é uma realidade muito distante de nós, brasileiros?

#1 Os brasileiros estão em busca de carros confortáveis e inteligentes

Uma recente pesquisa realizada pela empresa de consultoria MOB.INC, mostrou que, para 75% dos participantes, atributos como conforto e design inteligente são diferenciais importantes, desde que adaptados à realidade das grandes cidades. Logo, a ideia de compra de SUVS compactas, como a FAW Besturn T77, é algo que já está no imaginário das classes A, B e C no país.

Para o fundador da MOB.INC, Thiago Felinto, podemos interpretar isso como uma nova tendência de mercado: “As montadoras que se posicionarem em trazer inteligência embarcada, vão ganhar um papel de protagonismo. O mercado brasileiro é um pouco resistente para marcas novas, nós sabemos que pagamos mais caro nos veículos se comparado a outros países no mundo, e, por muito tempo, não tivemos uma pluralidade de marcas, ficamos amparados nas grandes montadoras. Para uma marca entrar no mercado brasileiro, tem que ir além do carro bonito, tem que sanar a dor do brasileiro que é ter carros verdadeiramente inteligentes e integrados.”

Felinto também afirma que, caso uma fabricante de automóveis viesse a oferecer no Brasil, hoje, um carro parecido com este desenvolvido pela FAW e a Xiaomi, com um valor próximo aos 80 mil reais, com o mesmo tipo de inteligência embarcada, isso estrearia uma nova categoria no segmento de SUV compacta.

Mais do que isso, se levarmos em consideração os dados de vendas de automóveis no país em 2018, que indicam que, de cada 5 carros 1 era uma SUV compacta, a tendência é que cada vez mais pessoas tenham interesse na compra deste tipo de carro. Logo, as montadoras já estão tendo que lidar com essa demanda e, em outras palavras, as SUVS são uma realidade da indústria automobilística nacional.

#2 A tecnologia de AI nos carros nacionais virá das próprias montadoras

A intenção por trás do anúncio feito pela Xiaomi e pela FAW foi tanto tecnológico quanto político. É claro que a Xiaomi mostra com essa SUV o quão avançada está no desenvolvimento de soluções de IoT e IA, e impressiona ao colocar o seu assistente virtual, Xiao AI, como um holograma no painel de um carro. Contudo, aliar-se a uma das grandes montadoras de automóveis no país, que compete direto com a norte-americana Tesla, é um ato político e mostra que o avanço tecnológicos das companhias chinesas ao mundo.

Porém, dificilmente, veremos este carro da FAW sendo vendido no Brasil nos próximos anos. Logo, dependemos do avanço tecnológico da indústria automobilística local para contar com sistemas inteligentes para carros.

E isso já está acontecendo, mesmo que neste primeiro momento se restrinja à categoria de carros de luxo, como é o caso do novo BMW Série 3, que conta com o assistente pessoal da BMW e chega ao mercado nacional ainda em 2019.

#3 Um “Besturn T77 tupiniquim” poderia chegar nos próximos dois anos

Para Thiago Felinto, como o Brasil é um mercado muito dinâmico, principalmente, nessa categoria de automóveis, é possível que nos próximos dois anos já tenhamos carros esportivos com o mesmo tipo de inteligência do SUV da Xiaomi: “Não me parece uma coisa pra já, mas não vejo isso indo além dos próximos dois anos, começando a partir de 2021, como uma excelente oportunidade para uma marca se firmar no Brasil. Se pensarmos que carros com alta tecnologia embarcada vão primeiro para o mercado de luxo, se uma empresa trouxer um modelo mais popular, com o padrão de um SUV, isso seria um grande diferencial.”

Os carros anunciados no ano passado, no salão do automóvel, já começam a chegar ao mercado com tecnologias inteligentes proprietárias das fabricantes, como o T-Cross, da Volkswagen. Isso mostra que o mercado nacional começa a construir já em 2019 outros parâmetros relacionados a novas tecnologias. “Em 2020, já existem estudos que mostram que outros modelos de carros também começam a ser pensados e adequados ao mercado brasileiros”, afirmou Felinto, mostrando um forte indicativo de que a indústria local está se adaptando.

Logo, como podemos ver, por mais distante que pareça ser ter uma SUV um pouco mais acessível chegando às concessionárias brasileiras, analistas de mercado estão confiantes de que isso não deva demorar a acontecer. É claro que os carros desta categoria ainda são mais caros aqui do que em outras regiões, mas usando o próprio mercado de smartphones como exemplo, basta uma empresa entrar no sistema com tecnologias e preços mais agressivos para que as outras marcas sigam o mesmo exemplo.

Fonte: OlharDigital

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