Presidente do Uzbequistão em estado crítico após décadas no poder


Islam Karimov, que governa o país com mão de ferro há mais de 25 anos, se encontra em estado “crítico” após um derrame cerebral, o que provoca incertezas sobre a eventual sucessão

“Queridos compatriotas, com o coração pesado informamos que a saúde de nosso presidente se degradou consideravelmente e, segundo os médicos, seu estado é crítico”, afirma um comunicado publicado na imprensa.
O governo havia anunciado a internação do presidente no fim de semana e sua filha mais nova, Lola Karimova Tilliaieva, informou que o pai, de 78 anos, sofreu uma hemorragia cerebral.
Nascido em 30 de janeiro de 1938, o presidente uzbeque escalou todos os degraus do aparato do Partido Comunista na época da URSS para, finalmente, ficar à frente da república soviética do Uzbequistão em 1989.
Karimov conseguiu permanecer no poder após a independência do país, em 1991, e dedicou suas forças a eliminar os opositores.
“Todo o Estado era Islam Karimov, Islam Karimov foi o Estado durante mais de um quarto de século, com mão dura”, disse à AFP Steve Swerdlow, analista da ONG Human Right Watch.
Várias organizações acusam Karimov, reeleito em 2015, de fraude nas eleições em várias ocasiões, pela detenção arbitrária de centenas de opositores e de apoiar o uso da tortura nas prisões.
Apesar dos boatos sobre a suposta fragilidade de seu estado de saúde, Karimov não nomeou um sucessor.
Sua filha mais velha, que chegou a ser considerada a favorita em um determinado momento, caiu em desgraça depois que comparou o pai com Stalin. Desde então ela está em prisão domiciliar.
“Mesmo que exista um plano de sucessão, os aspirantes vão respeitar? Como a situação não tem precedente no Uzbequistão nos 25 anos que se passaram desde a independência, ninguém sabe se as pessoas seguirão as normas uma vez que o árbitro tenha partido”, declarou Scott Radnitz, especialista na política do país da Universidade de Washington.
De acordo com a Constituição, o presidente do Senado deve assumir o poder de forma interina se o presidente não pode governar, mas os analistas o consideram um simples braço do Legislativo.
Os pretendentes mais conhecidos para a sucessão de Islam Karimov são o primeiro-ministro Chavkat Mirzioiev e o vice-premier Roustam Azimov. Os dois são considerados rivais.
Outro candidato ao trono pode ser o ministro da Seguranla, Roustam Inoyatov, de 72 anos, considerado um dos responsáveis pela morte de 300 a 500 manifestantes durante um protesto em Andijan (leste) em 2005, um banho de sangue que provocou o veto da comunidade internacional a Karimov.

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