POR QUE DEVEMOS LER OS CLÁSSICOS


POR QUE DEVEMOS LER OS CLÁSSICOS

celioProf. Célio Leandro

Vivenciamos dias tensos no campo da educação, polêmicas envoltas de notícias sobre recolhimento de livros clássicos nas escolas públicas – fato que, conhecendo os autores envolvidos, posso afirmar que, são defensores sim, da inserção boas leituras no cotidiano dos estudantes – apesar da polêmica, sou testemunha do crescente vivenciar dos estudantes no mundo dos livros clássicos, mas afinal, o que são e qual a importância de ler livros clássicos?

Os clássicos da literatura refletem a cultura de um povo ou de um período da história da humanidade. Seus autores são verdadeiros artistas, que se dedicam a trabalhar a linguagem de maneira única e a refletir sobre assuntos que sempre farão parte das nossas vidas.

Só as obras bem escritas passam para a posteridade, tornam-se fonte de conhecimento – e não apenas de entretenimento – e, enfim, podem ser chamadas de clássicos. Seus autores são verdadeiros artistas. Eles conseguem organizar bem seus pensamentos, esculpem a língua com cuidado e estilo e põem em foco os principais conflitos da existência humana. Assim, ao experimentar as emoções de diversos personagens consagrados, o leitor busca respostas para a própria vida, compreende melhor o mundo e se torna um escritor mais criativo.

Mas mesmo com a sua reconhecida importância, os clássicos são deixados de lado até mesmo por leitores assíduos. Muitos os consideram difíceis de ler, antes mesmo de terem contato com a obra.

“Já que não podemos entrar em uma máquina do tempo e conhecer o cotidiano da Grécia Antiga ou a realidade do século 18, ler é a melhor maneira de nos transportar para outros universos, tempos e espaços”, diz a escritora Ana Maria Machado. “Todo leitor é, quando está lendo, um leitor de si mesmo”, disse Marcel Proust (1871-1922), um dos maiores escritores franceses, autor da obra-prima Em Busca do Tempo Perdido. Isso acontece quando os personagens retratados servem de inspiração e reflexão para leitores de qualquer época e lugar.

Os clássicos da literatura não são chamados assim por acaso. Eles costumam tratar de aspectos da vida que são de eterno apelo para a humanidade, como o amor, a vida e a morte. Um clássico nunca sai de moda e são esses temas universais que o tornam sempre contemporâneo.

Um livro “clássico” pode não ser o mais fácil, nem o mais popular ou o mais gostoso de ler, mas será aquele que formará o seu gosto, que servirá de afinador perante o livro de baixa qualidade. São livros para ler sem pressa, já que na maioria das vezes já sabemos de seus meandros, o que pode evitar surpresa de um final surpreendente (embora livros como A Volta do Parafuso, de Henry James, e 1984, de George Orwell, tenham me deixado de boca aberta no final). São livros que servem de bússola para os caminhos da ficção, que reorientam não apenas a nossa maneira de ver o mundo, mas o próprio mundo.

Célio Leandro  –  Historiador, especialista em Arqueologia da Amazônia, mestre em História – PUC/ RS, professor universitário e da rede pública e particular em Porto Velho

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