PF prende José Yunes, ex-assessor de Temer, ex-ministro Wagner Rossi e dono da Rodrimar


O advogado José Yunes, um dos melhores amigos, confidente e conselheiro do presidente Michel Temer, foi preso.

O amigo e ex-assessor do presidente Michel Temer, José Yunes, o ex-ministro Wagner Rossi (Agricultura) e o dono da empresa portuária Rodrimar, Antônio Celso Grecco, foram presos na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal.
As prisões são parte da Operação Skala, feita no âmbito do inquérito da MP dos portos, que investiga propinas em um decreto do setor portuário, e inclui acusações sobre o presidente. O inquérito foi aberto em setembro de 2017, e o relator é o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O coronel João Baptista Lima Filho, amigo do presidente Temer, também foi preso em São Paulo, segundo o jornal Estadão e a TV Globo.
José Yunes é amigo de Temer há mais de 50 anos. O empresário foi assessor do emedebista na Presidência – e pediu demissão do cargo após a revelação do conteúdo da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho.
Yunes foi acusado pelo delator Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB, de ter recebido propina endereçada a Temer.
Desde a acusação, o presidente rebateu as acusações , disse que as declarações de Funaro são “falsas” e que os imóveis que ele possui foram adquiridos de forma lícita e declarados à Receita Federal.
No final de novembro, Yunes havia prestado depoimento sobre o caso. Segundo o advogado de Yunes, José Luis de Oliveira Lima, trata-se de uma prisão temporária de cinco dias.

Em delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato, o operador financeiro Lúcio Funaro contou à PF que Yunes seria um dos operadores de propinas do presidente Michel Temer. Ele nega.
De acordo com o advogado de Yunes, a prisão é ilegal. “É inaceitável a prisão de um advogado com mais de cinquenta anos de advocacia e vida pública e que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu à todos os atos para colaborar”, diz o defensor. “Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania.”

Ex-ministro da Agricultura

 Wagner Rossi (MDB), ex-ministro da Agricultura, foi preso no interior de São Paulo nesta manhã. A prisão é temporária de cinco dias.
Rossi, que é pai do deputado Baleia Rossi (MDB), também foi diretor-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, estatal que administra o porto de Santos, em 1999 e 2000.
O advogado de Wagner Rossi, Rafael Chiaradia, afirmou ter recebido a notícia da prisão do ex-ministro com “muita surpresa”, pois seu cliente “se aposentou há mais de sete anos” e, desde então, “não atua profissionalmente nem na vida pública nem na privada”. “Ele não atua em campanhas eleitorais e nem tem relacionamentos políticos”, declarou. O defensor disse ainda que Rossi não foi ouvido pela Polícia Federal tampouco convidado a depor.
“É uma situação que gerou muita surpresa. Vamos tomar todas as medidas cabíveis.”
O ex-ministro também foi citado na delação de Joesley Batista, do grupo J&F.
O político foi acusado de receber um pagamento de R$ 100 mil mensais após deixar o cargo, a pedido do presidente. Em maio de 2017, Rossi, que é pai do deputado Baleia Rossi, confirmou conhecer Joesley Batista e ter prestado consultoria à sua empresa após deixar o cargo de ministro.
Empresa portuária
Funaro disse também que tem conhecimento de que Temer influenciou diretamente os termos da MP dos Portos para favorecer a Rodrimar, empresa concessionária de terminais no Porto de Santos (no litoral sul de SP).
O presidente da empresa Rodrimar, Antônio Celso Grecco, foi preso no interior de São Paulo. O terminal da empresa em Santos foi alvo de um mandado de buscas e apreensões pela Polícia Federal nesta manhã.
O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (flagrado com a mala de dinheiro da JBS em outra) é alvo da mesma investigação, apontado como interlocutor de Temer junto ao setor portuário e teria recebido propina para favorecer a empresa no decreto, assinado pelo presidente em 10 de maio de 2017.
Após a abertura do inquérito, a Rodrimar declarou que nunca recebeu qualquer privilégio do poder público e que o decreto dos Portos atendeu a uma reivindicação de todo o setor de terminais portuários do país.

Desde a abertura do inquérito, o Palácio do Planalto afirmava que o decreto havia sido assinado após “longo processo de negociação” entre o governo e o setor portuário e que Temer prestaria todos os esclarecimentos necessários.

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