O Medo do Terror


Há muita gente condenando os procedimentos de segurança da ANAC para as Olimpíadas 2016, entretanto, ela está certa. O problema não está nas ações recentes, que para alguns já deveriam ter sido tomadas há muito tempo, e para outros, nem deveriam existir. E aí aparecem especialistas e críticos julgando ações necessárias e no caminho de apoiar a insatisfação dos passageiros, que reclamam, reclamam e reclamam.

Todos querem o conforto de chegar ao aeroporto e logo serem atendidos pelas companhias aéreas que optaram. Fácil. Chegou e pronto. Em 40 minutos, no máximo, tudo se resolve. Além disso, já estão na fila para o check-in, e, é claro, vão ter que fechar o voo, pensam assim: “estou aqui e vão ter que me engolir. Podem atrasar um pouquinho a saída, desde que me atendam. ”

O Brasil não cumpre regras internas, imagine as internacionais. Sob a ótica de segurança aérea (e não queremos mencionar, com pilotos, aeronaves, comissários, etc., dentro de suas regras próprias e da aérea). Acompanhei sequestros de aeronaves que foram levadas para Cuba, que passaram por Manaus, no final da década de 60. Vi que bastava um grupo sequestrar a família de um piloto e a ação estaria garantida. Outros tempos. O mundo mudou com os avanços tecnológicos e com ele também a cultura de segurança evoluiu. Ainda assim, vemos desastres aéreos suspeitos ou comprovados de que houve ação terrorista, também reconhecida pelos seus autores. O terrorismo ficou mais violento e abrangente.

As aéreas internacionais adotam rígidos controles, Em 1995 viajei de Londres a Israel e de Israel a Paris num avião da El-AL, linhas aéreas israelense, num Boeing 747. Uma escalada rápida no aeroporto Ben Gurion, em Tel-Aviv. No estacionamento passamos para uma aeronave menor (um Boeing 737) e de lá, fomos para o Cairo. Era um grupo que incluía três ministros do STF, juízes, procuradores, promotores, advogados, etc. Depois de uma estada no Cairo, seguimos de ônibus para Jerusalém. Com muitas autoridades, e para evitar paradas e paradas por fundamentalistas, batedores nos acompanharam até a fronteira com Israel (eu me senti até um pouquinho importante – orgulho besta).

Atravessamos a Faixa de Gaza tranquilamente, mas a segurança para o acesso a Israel começava aí. Era Primeiro-Ministro daquele país, Yitzhak Rabin, Nobel da Paz, juntamente com Shimon Peres e Yasser Arafat. Na fronteira com Israel, passamos para um ônibus de empresa israelense. Malas revistadas por raio-x, tudo demorado. Já estávamos no ônibus. Uma surpresa: uma ação tendo como causa o passaporte de um descendente árabe com o sobrenome Abud (um companheiro havia-me alertado sobre essa possibilidade, pelo rigor da Imigração, mas pode ter sido coincidência). Chega um agente da Imigração, com os passaportes na mão, ao nosso ônibus: “Os senhores terão que descer para uma nova vistoria nas bagagens”. Finalmente, chegamos a Jerusalém com direito a bela recepção, com violinos e vinhos. Judeus receptivos e educados.

Na volta a Paris, o rigor da segurança continua. Na véspera, um carro e seguranças da EL-AL fizeram um check-in prévio. Perguntas sobre a bagagem. Levaram todas em veículos próprios. No dia seguinte, fomos para o aeroporto apenas com as malas de mão. No aeroporto, vistoria das bagagens em nossa frente. Umas vinte perguntas, tipo: “onde você comprou seus presentes, viu quando os embalavam? Ao deixar no apartamento do hotel, ficou dentro de mala fechada? Quando voltou a mala continuava fechada ou aberta? E por aí vai.

Depois disso tudo, é que fomos para o balcão da aérea fazer o check-in completo, receber os tickets e os cartões de embarque. Fomos alertados por um costumeiro viajante que ainda haveria a possibilidade de uma espécie de inspeção de bagagens, por sorteio, na sala de embarque. Então tivemos sorte porque não presenciei esse procedimento.

Certa vez, vi uma entrevista com um especialista inglês sobre Segurança Aérea de um modo geral. Ele afirmou que se as companhias aéreas adotassem os métodos da El-AL, lhes faltariam passageiros, pela chatice da espera para o embarque.

A EL-LA (aos céus) apresenta recomendações básicas para seus passageiros que saem de Israel. Ela começou suas operações no Brasil a partir de 2008. No seu site oficial, avisa que se apresentem para o check-in no balcão de acordo com as horas informadas. Classe Econômica: chegada aos balcões de check-in 3 horas antes do horário de partida, conforme listado no bilhete do avião; Business Class, VIPs e passageiros de primeira classe: 2 horas antes da hora de partida.

A empresa observa que, uma vez que a verificação de segurança (revista nas bagagens a serem despachadas e as de mão), deve ser concluída antes de chegar ao check-in no balcão, recomenda a apresentação ao aeroporto cerca de “quatro horas” antes da hora de partida do voo. É isso mesmo, 4 horas antes do voo. O check-in para voos de Israel fecha cerca de uma hora antes da partida. Passageiro final não será capaz de check-in uma vez que seu voo foi fechado. Os portões de embarque fecham dez minutos antes e passageiro retardatário não será mais aceito no voo. E não adianta apelar, pois está sujeito a perder os benefícios dos acordos internacionais da aviação privada.

O mundo hoje passa por ações muito mais agressivas e abrangentes do que no passado. Em eventos de dimensão internacional como Copa do Mundo, Olimpíadas, etc, os cuidados se ampliam em todos os países. Por que no Brasil seria diferente? O problema redunda do descaso do Governo que teve todo o tempo do mundo para cuidar da segurança e só veio cumprir acordos internacionais há alguns meses, deixando a batata quente para um sucessor que não imaginava viesse tão rápido. Aqui para nós e para o leitor, a Presidente Afastada nunca foi ligada mesmo a procedimentos de segurança e combate ao terrorismo. Talvez nunca tenha consultado a sua GSI ou a ABIN, e quem não se informa não pode ser afetada pelo elemento surpresa.

Difícil acertar a hora do ataque e onde, assim, pelo achismo. O trabalho de inteligência não começa na véspera, mas com muita antecedência. Porém o Governo minimiza e diz que são amadores. O Ministro da Defesa diz que foi “porralouquisse”. Pode ser. No entanto, Yitzhak Rabin, foi morto por um estudante judeu ortodoxo que se opunha a negociação com os Palestinos. Tudo muito rápido, numa praça pública, em Tel-Aviv. Nos Estados Unidos, ninguém esperava um ataque de terroristas usando alguns boeings, dos quais, dois, derrubaram as Torres Gêmeas, e Paris, tanto quanto Nice, não esperava tão monstruoso atentado. “Si vis pacem, para bellum”. Se queres a paz prepara-te para a guerra.

Não acredito que depois de tudo o que acontece no mundo, pela ambição do poder, pelos enfrentamentos religiosos, pelos ativistas de toda ordem, tenhamos que ser tão otimistas a ponto de contestarmos medidas de segurança.

O Brasil deve ter Medo do Terror em sua própria casa.

Que Deus nos proteja.***

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