O DESMONTE DA LAVA-JATO


O DESMONTE DA LAVA-JATO

Os governos do PT, pelas declarações do senhor delegado, não interferiram nas ações da Polícia Federal. Os governos, e não o PT. Quem tem poderes para tanto é o Governo e não o partido, como está sendo divulgado. Talvez por acreditarem que seriam excluídos de investigações. Mas teria influído, por via indireta, nas reduções da penas e anistiado apenados do seu partido, no mensalão, e isto é público porque o desmonte das sentenças foram defendidos por um seu recém indicado ao STF. Entretanto aqui, já é outra história.

Acrescente-se, e, talvez, o senhor delegado, reconhecido como homem de integridade inquestionável, no que concordo, não precisou que a Lava-Jato não se iniciou nos primeiros anos de Governos do PT. Mas é justo que, como reconhecimento ou comparação, o fato dos Governos do PT, em tese, não terem inspirado uma obstrução ou atrapalhado, no caso específico, a Lava Jato, mostra um dever, uma obrigação, mas não indica uma virtude.

E exatamente porque aquele que é detentor de um Poder máximo, consagrado pela Constituição, pode sim estar interferindo nas ações da Polícia Federal, tentando enfraquecer a Lava-Jato. Ministros do PT, como Eduardo Cardoso, sempre vinha a público e justificava esse questionamento, comprovando o apoio à investigação. Falava, bradava, dizias algumas, digamos, besteiras, mas estava lá, defendendo o Estado.

O atual governo, acuado por uma série de denúncias, delações, com fortes ataques de parte da mídia, alguns justificados, não se pronuncia de forma contundente.

O Senhor Ministro da Justiça, que antes de dizer mesmo a que veio, procurou na primeira entrevista, mostrar que é uma sumidade no Direito, mantém-se, penso, omisso em esclarecer essa lenga-lenga com a Polícia Federal, que não recebe suporte nem mesmo para a aquisição de passaportes. Enquanto a barganha para votações corre livre, com liberações de emendas que somam uns quatro bilhões de reais.

O que representa 140 e poucos milhões para resolver o problema do Passaporte, por exemplo? Acrescente-se ainda que um Governo que confia na sua base, já poderia ter votado no parlamento essa liberação, em regime de urgência que não se materializa até agora, o que fortalece as declarações de um representante sério dos investigadores da Policia Federal.

O senhor Delegado expõe pela sua apelação comparativa, a insatisfação que deve estar reinando no seio das investigações da Lava-Jato. O Governo parece mesmo jogar para a platéia, porém, através de alguns membros da sua equipe, como diria o saudoso Joelmir Beting, na prática a teoria é outra.

E o desmonte dos principais operadores da Lava-Jato infere mesmo um desejo do atual governo e de membros do parlamento delatados por vários colaboradores da justiça. Não há nenhuma preocupação com o interesse público, com o interesse nacional.

A população, pelo que se presencia dia-a-dia, inclusive face as mais recentes decisões judiciais, parece estar morrendo de nojo, descrença, abandono e desespero, exteriorizando um verdadeiro estado de impassibilidade, recolhendo-se aos seus lares e, talvez, até mesmo desligando seus rádios e televisões, abandonando protestos nas ruas. Prós e contras, como se viu no mais recente protesto público, foi marcado por inexpressiva presença de ‘gatos pingados”.

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