Não, o Telegram nunca disse que não houve ataque hacker à Lava Jato


Olhar Digital publicou, na última segunda-feira, 10, uma série de técnicas hackers que permitiriam o roubo das mensagens dos celulares de membros da operação Lava Jato, que foram expostas em matéria do site The Intercept. Nesta terça-feira, o Telegram manifestou-se para anular uma das hipóteses: a de que não foi a sua infraestrutura que foi hackeada.

 No entanto, muitos leram a publicação da plataforma no Twitter de uma forma errada. O Telegram havia sido questionado por um jornalista brasileiro sobre seu serviço ter sido alvo de ataque, o que desde o começo parecia improvável. Quando a empresa diz “de fato, não há evidência de qualquer hack. Provavelmente deve ter sido malware ou alguém não usando uma senha de verificação em 2 etapas”, ela está se defendendo de algumas acusações que começaram a pipocar de que as mensagens poderiam ter sido roubadas diretamente da nuvem da plataforma.
Em momento algum, o Telegram fala que os vazamentos não são fruto de um ataque hacker. As mensagens podem, sim, ter sido vazadas atacando hackeando as contas do Telegram dos membros da Lava Jato, o que não é nada impossível. Existem múltiplos métodos para esse tipo de ação, com diferentes níveis de sofisticação, e o sucesso pode ser facilitado se os usuários não configuram a senha de autenticação em duas etapas do aplicativo. Hackear o usuário não significa hackear o Telegram; o aplicativo não é responsável quando o usuário não toma cuidados básicos com sua própria segurança.

Um exemplo básico: vamos supor que alguém teve acesso aos seus e-mails pessoais no Gmail. Se esse acesso foi feito por meio de um ataque bem-sucedido aos servidores do Google, isso significa que a empresa foi hackeada. Se o acesso ocorreu porque alguém descobriu a sua senha, talvez por encontrar a senha anotada em um post-it, ou deduziu por meio de informações que descobriu no seu Facebook, isso significa que quem foi hackeado foi você, e não o Google.

O fato de a mídia não-especializada em tecnologia interpretar errado a publicação do Telegram ajuda a confundir ainda mais essa questão. A publicação no Twitter do UOL Notícias dá a entender que não houve qualquer tipo de ataque hacker na ação, o que indicaria obrigatoriamente uma ação interna. Foram mais de 1,7 mil retweets no post original, e outros perfis grandes como a jornalista Monica Bergamo estão entre as pessoas que repassaram a informação adiante, com mais milhares de retweets.

A notícia no site do UOL foi corrigida para retratar corretamente a situação, informando que o Telegram não diz em momento algum que nunca existiu um ataque hacker. No entanto, muitas pessoas sequer abrem a notícia para perceber que houve alterações no texto e a publicação original no Twitter ainda está ativa, permitindo que ela seja livremente repassada adiante por outras pessoas comuns e influenciadores de grande alcance.

Diante da repercussão da interpretação enganada sobre sua publicação, as próprias redes sociais do Telegram se manifestaram para tentar desmentir o caso. “Eu não disse que celulares não foram hackeados. Alguém perguntou ‘O Telegram foi hackeado?’, e eu disse que não, o Telegram não foi hackeado”, diz o perfil oficial do aplicativo no Twitter.

Fonte: OlharDigital

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