NA PRÁTICA A TEORIA É OUTRA


O que parece ser mais verdadeiro é que as instituições brasileiras estão contaminadas pelas ideologias e compromissos pessoais ou partidários que os indicam para cargos privilegiados em todos os níveis da administração pública federal, direta e indireta.

Por outro lado, algumas das maiores empresas, e, notadamente o Sistema Financeiro se amparam em lobbys velados para defender interesses contrários ao interesse público.

Propaga-se o caos para justificar ações, algumas vezes com explicações questionáveis, como se apenas o poder tivesse suas prioridades e a economia dependesse apenas das decisões unilaterais de dirigentes que passam bem e o cidadão que se cuide.

Como justificar a aquisição ou aluguel de aeronaves com capacidade para 270
passageiros para servir a um vaidoso Presidente temporário, cuja obrigação é criar soluções que beneficiem o povo brasileiro?

Hoje vivemos sob as decisões do mercado financeiro que gira valores relevantes, protege investidores que não geram empregos, aplicam lucros em contas secretas, não cumprem acordos com o Estado e torna o Brasil cada vez mais vulnerável.

Ninguém fala mais em proteger o Estado mas em ser candidato à Presidência ou a qualquer coisa.

As agências reguladoras das concessionárias de serviço público não regulam nada e não passam de apoiadoras das fiscalizadas que usam e abusam dos acordos, prometem investimentos, descumprem, vendem ativos, são incorporadas, transferidas para novos acionários, alguns dos seus dirigentes enchem suas contas pessoais, aumentam seus patrimônios privados, tudo começa de novo e o rombo nelas aumentam.

Basta usar como exemplo as aéreas, as empresas de energia, as empresas de saúde, as Anvisa da vida que não fazem planos estratégicos para encarar óbices e quando os problemas surgem, transferem para o Governo e a sociedade paga pela omissão e ou incompetência.

Incrivelmente, durante anos, instituições controladoras das contas públicas, quase sempre, só identificam problemas graves quando a mídia investigativa difunde os resultados de suas ações jornalísticas, apesar da excelência comprovada dos seus técnicos.

Além disso, parece que o compromisso é salvar Chefes de Executivos que autorizam gestões sem questionar pontuações orçamentárias e financeiras, e carregar as responsabilidades para o gestor direto, para mostrar serviço.

Um dos grandes exemplos tem sido a Controladoria Geral da União que sob a direção de um dono de belo currículo em administração passada, só identificou problemas graves quando denunciados pela mídia.

Difícil até de acreditar, porquanto composta de excelente quadro técnico. O que se pode inferir é que, suponho, em alguns casos não deva ser desconhecimento mas aquele embargo de gaveta para proteger poderosos.

E tudo vai ficando como está porque alguns gestores do serviço público não são
apenados nem por omissão, contrariando seus “excelentes” currículos que contemplam, pomposamente citados, vários cursos no exterior, mas que no Brasil, como dizia o saudoso jornalista Joelmir Beting: “na prática a teoria é outra”.

E o pequeno gestor, coitado, serve de divulgação de suas desaprovadas prestações de contas.

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