Lava Jato prende Eike, novamente.


Eike Batista, na Polícia Federal no Rio. FOTO: MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

Empresário delatado é alvo de mandado de prisão do juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio

O empresário Eike Batista foi preso na manhã desta quinta, 8, pela Polícia Federal em um desdobramento da Lava Jato no Rio denominada Segredo de Midas. A prisão, temporária, está relacionada à delação premiada de Eduardo Plass. O banqueiro foi alvo da operação ‘Hashtag’ em agosto de 2018 e estaria ligado a esquema de corrupção envolvendo o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e Eike, segundo a investigação.

Agentes cumprem ainda um mandado de prisão preventiva contra Luiz Arthur Andrade Corrêa, responsável financeiro pelo grupo de Eike, e quatro ordens de busca e apreensão no Rio. Parte das buscas é realizada em endereços ligados a Olin e Thor, filhos do empresário. As ordens foram expedidas pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Segundo a PF, a operação tem como objeto ‘a busca de provas relativas à manipulação do mercado de capitais e à lavagem de dinheiro’.

Esta é a segunda prisão de Eike, fundador do grupo EBX que já foi considerado um dos homens mais ricos do País. Em janeiro de 2017, o empresário foi preso na Operação Eficiência, mas passou apenas três meses em reclusão, até abril do mesmo ano, quando foi libertado por um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Menos de uma semana depois da decisão de Gilmar, a Justiça Federal no Rio de Janeiro determinou a prisão domiciliar do empresário, que teve que pagar uma fiança de R$ 52 milhões para ter o benefício.

Ainda em 2017, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu substituir a prisão domiciliar de Eike por medidas menos graves, como o recolhimento domiciliar no período noturno e nos feriados, o comparecimento periódico em juízo, a proibição de manter contato com os demais investigados, a proibição e deixar o país e a entrega do passaporte.

Em julho de 2018, Eike foi condenado por Bretas a 30 anos de prisão e ao pagamento de multa de R$ 53 milhões pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de pagar propina de US$ 16,5 milhões (cerca de R$ 60 milhões) ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral, em troca de participação em grandes empreendimentos do Estado. O empresário recorre da decisão em liberdade.

No mês passado, alguns bens do empresário foram negociados em leilão da 3ª Vara Criminal do Rio. A famosa Lamborghini Aventador branca e a lancha “Spirit of Brazil” de Eike, considerados os bens de maior valor arrestados pela Justiça pelos crimes cometidos no âmbito da Lava Jato, foram vendidos por R$ 1,4 milhão e R$ 1,9 milhão, respectivamente.

Também em julho deste ano, Eike Batista fez sua estreia como palestrante em um evento para empreendedores em Florianópolis. Desde o início de 2018, o empresário posta vídeos em seu canal do youtube, que conta com 146 mil inscritos atualmente.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO MARTINS, QUE DEFENDE EIKE

“O advogado Fernando Martins informa que assim que obtiver acesso aos autos e motivos que fundamentaram a prisão de Eike Batista apresentará recurso, porque certamente essa nova ordem de prisão, assim como a anterior, carece de amparo legal.”

Fonte: O ESTADO DE S. PAULO

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