Kim Jong-Un e Donald Trump chegam a Cingapura para cúpula histórica


O arsenal nuclear de Pyongyang, que lhe rendeu várias sanções do Conselho de Segurança da ONU e ameaças de ações militares do governo de Trump, será a questão central da agenda.

Donald Trump e Kim Jong-Un chegaram neste domingo (10) a Cingapura, dois dias antes da esperada cúpula, cujo resultado é incerto após décadas de desconfiança entre o isolado país com armas nucleares e a superpotência mundial.

O avião Air Force One do presidente norte-americano aterrizou pouco antes das 20h30(9h30 de Brasília) em Cingapura, poucas horas depois da chegada de Kim.

O arsenal nuclear de Pyongyang, que lhe rendeu várias sanções do Conselho de Segurança da ONU e ameaças de ações militares do governo de Trump, será a questão central da agenda. Encerrar formalmente a Guerra da Coreia, 65 anos após o fim das hostilidades, também estará sobre a mesa no primeiro encontro entre o líder norte-coreano e um presidente em exercício do seu “inimigo imperialista”.

Kim chegou a Cingapura a bordo de um 747 da Air China. O ministro das Relações Exteriores da cidade-Estado, Vivian Balakrishnan, tuitou uma foto de si mesmo saudando no aeroporto o líder norte-coreano, que foi levado para o centro da cidade em uma limusine acompanhada por um comboio de mais de 20 veículos.

Cúpula atômica

Após sete décadas de antagonismo, a desconfiança irá pairar sobre a cúpula entre Donald Trump e Kim Jong-Un, e o peso da história incidirá nas discussões sobre o arsenal nuclear norte-coreano e o quão longe Pyongyang está disposta a ir para satisfazer as demandas americanas.

A busca por uma solução viável que satisfaça ambas as partes implicará superar várias brechas potencialmente perigosas.

Que tipos de armas a Coreia do Norte tem?

Os grupos que acompanham o tema de perto estimam a potência do sexto e último teste nuclear feito em setembro em 250 quilotons, ou seja, 16 vezes mais forte do que a bomba americana que destruiu Hiroshima em 1945.

Segundo o livro branco de Defesa de Seul, o relatório mais recente publicado, a Coreia do Norte tem 50 quilos de plutônio armazenados, estimados como suficientes para 10 bombas, e uma capacidade “considerável” para produzir armas de urânio.

Em 2017, o jornal Washington Post citou uma informação da Inteligência americana que dizia que a Coreia do Norte tem cerca de 60 dispositivos nucleares.

O país tem experiência em construir túneis e acredita-se que estejam guardados em depósitos subterrâneos espalhados pelo território.

A Coreia do Norte ainda tem que mostrar de forma definitiva que tem capacidade de colocar uma ogiva nuclear em um míssil para apontar de forma precisa e para que o projétil efetue com sucesso o retorno à Terra da atmosfera.

Além do arsenal nuclear, acredita-se que a Coreia do Norte tenha entre 2.500 e 5.000 toneladas de armas químicas desenvolvidas a partir da década de 1980, segundo informação militar da Coreia do Sul.

O que os Estados Unidos possuem?

Segundo o Departamento de Estado, em 1º de setembro os Estados Unidos tinha um total de 1.393 ogivas nucleares mobilizadas que podem ser lançadas por terra, mar e ar.

Também afirmam possuir mais milhares em depósitos e outras aguardando para serem desmanteladas, afirmam ativistas. A Associação para o Controle de Armas estimou o total em 6.550 em 2017.

Os Estados Unidos retiraram as armas nucleares que tinham na Coreia do Sul na década de 1990 e Seul não tem um arsenal próprio.

Mas os EUA podem atingir qualquer posição com armas convencionais, ou com munições nucleares.

O que Pyongyang prometeu?

O secretário de Estado, Mike Pompeo, funcionário de mais alto escalão a se reunir com Kim Jong-Un, disse que o líder norte-coreano lhe informou pessoalmente que Pyongyang está pronta para se desnuclearizar.

Trump tem sido inequívoco na afirmação de que “não se desnuclearizar seria algo inaceitável”.

A Coreia do Norte tem reiterado o seu compromisso com a desnuclearização da península, mas esta afirmação é um eufemismo diplomático que está aberto a interpretações em ambos os sentidos, e Pyongyang não deu indícios públicos de que concessões poderia fazer.

Segundo Seul, o país ofereceu a possibilidade de renunciar a suas armas nucleares em troca de garantias de segurança não especificadas.

Em uma visita à China em março, a imprensa oficial chinesa indicou que Kim teria dito que o assunto pode ser resolvido se Seul e Washington adotarem “medidas progressivas e sincronizadas para a realização da paz”.

Isto implica em que?

Pyongyang diz que precisa das armas nucleares para se defender dos Estados Unidos e interpreta as ameaças de forma ampliada.

Segundo o tratado de defesa mútua de 1953 entre Coreia do Sul e Estados Unidos, Washington tem o dever de ajudar seu aliado se este for atacado.

No passado, Pyongyang pediu o fim desta aliança e que os EUA retirem suas tropas do Sul.

Os Estados Unidos contam com 28.500 militares no país e o arsenal nuclear de Washington é uma peça-chave de suas capacidades de defesa mesmo com a política de “não utilização em um primeiro momento”.

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