GOVERNADOR JORGE TEIXEIRA E A ESTRADA DE FERRO MADEIRA MAMORÉ


 

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GOVERNADOR JORGE TEIXEIRA E A ESTRADA DE FERRO MADEIRA MAMORÉ

Sempre que leio notícias sobre uma possível reativação da Estrada de Ferro Madeira Mamoré fico me perguntando: Por que tamanha dificuldade? Há poucos meses ocorreu, com grande fervor a inauguração de um trecho para circulação da “liturina”, fruto de luta de abnegados pioneiros ferroviários com apoio solitário do vereador Aleks Palitot. Dias depois, tudo abandonado. Sem o apoio necessário, a “liturina” para de funcionar, o mato volta a tomar de conta dos trilhos. Atualmente uma empresa privada se incumbiu de realizar o restauro. Por que tamanha dificuldade? Seria um “nordeste” político? Ganha força em época de eleições, seguido de esquecimento. Ao meu ver, falta de vontade política, puramente. Vamos relembrar um pouco de sua história e como sua restauração foi possível com um simples “ eu quero” de quem realmente tem poder de decisão.

A lendária Estrada de Ferro Madeira Mamoré tem sua história ligada a sofrimento, heroísmo, fracassos e grandes personagens. Construída para escoar a produção boliviana, visto que a Bolívia havia perdido sua saída para o Pacífico, esta obra seria sua opção para atingir o Amazonas, ganhando o mundo via Oceano Atlântico.

Sua construção está dividida em duas fases: a primeira ainda no século XIX e totalmente conduzida pela Bolívia, neste período, vieram ingleses e americanos não logrando êxito. Por consequência do Tratado de Petrópolis, o Brasil se viu obrigado a construir a ferrovia, em 1907, inicia-se a segunda fase. Trabalhadores de mais de 50 nações vieram à Amazônia, em maio de 1912 é inaugurada com 366 km, ligando Porto Velho a Guajará Mirim. Funcionando de forma deficitária, é desativada na década de 70.

No dia 11 de julho de 1981, o governador do ainda Território Federal de Rondônia, Cel. Jorge Teixeira de Oliveira, inaugurava a reativação de parte da nossa Estrada de Ferro Madeira Mamoré.

Foram recuperados 07 quilômetros de trilhos e uma máquina, para um passeio turístico entre Porto Velho e Santo Antônio. Como isso foi possível? Vontade política. O memorialista Anísio Gorayeb lembra bem o período: “O “Teixeirão” era apaixonado por história, foi um destemido pioneiro, ele quis reativar esse trecho e assim o fez. Decretou a seus subordinados, em poucos dias homens e máquinas estavam trabalhando. ”

“ Ele quis”, Jorge Teixeira era esse tipo de político cada vez mais raro em tempos sombrios, falta-nos o “ querer”, compreender que um patrimônio histórico representa a memória de seu povo. Segundo alguns historiadores como Jacques Le Goff (1990 ), Michael Pollak (1989 e 1992 ) e Pedro Paulo Funari (2009 ), a importância da Preservação do Patrimônio Histórico pode ser associada a memória coletiva e individual, pois é através da memória que nos orientamos para compreender o passado, o comportamento de um determinado grupo social, cidade e nação . O avivamento da memória também contribui para a formação de identidade, resgate de raízes, está ligada formação cultural e econômica de um povo.

“ Ele quis”…

Célio Leandro – Hitoriador

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