Em fase de testes, cirurgia para enxaqueca é esperança para pacientes


Frequentemente surgem questões controversas dentro da medicina, que ainda necessitam de mais evidências científicas, por exemplo, a recém proposta de tratamento cirúrgico para enxaqueca.

Essa história começa nos anos 2000, quando o cirurgião plástico norte-americano Bahman Guyuron notou que pacientes submetidos a cirurgias estéticas faciais nas regiões frontais ou superior do rosto melhoraram das suas crises de enxaqueca.

A ideia da cirurgia de enxaqueca é simples, isso porque estímulos dolorosos entram no cérebro através de nervos periféricos que partem da pele, vasos e membranas da cabeça e até pescoço. Desta forma, o procedimento cirúrgico interrompe esses estímulos de chegarem ao cérebro promovendo então, uma de-sensibilização periférica impedindo estímulos nociceptivos (dolorosos) de ganharem os portões de dor no cérebro.

No entanto, atualmente já existe um tratamento com o mesmo propósito, repleto de evidência científica quanto à sua eficiência e segurança. Este tratamento é a aplicação de toxina botulínica, BotoxR, em pelo menos 31 pontos da cabeça na região frontal, temporal, occipital, pescoço e ombros. A ideia é semelhante ao que se pretende com a “cirurgia” de enxaqueca, ou seja, bloquear estímulos periféricos.

A diferença entre a cirurgia, que ainda precisa de validação, e as aplicações de toxina é que o BotoxR é um procedimento mais simples, reversível e mais barato, além de inúmeros estudos robustos que comprovam seus efeitos. A cirurgia, por outra vez, ainda precisa de validação, os riscos não são bem conhecidos, assim como os custos.

Enfim, é muito importante surgirem questões novas relacionadas ao tratamento da enxaqueca. O que precisamos, entretanto, é aguardar mais resultados da cirurgia de enxaqueca e torcer para que ela seja mais uma alternativa de tratamento para os pacientes com esta doença incapacitante e crônica.

Escrito por Andre Felicio
Neurologia – CRM 109665/SP

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