Doenças nos olhos são silenciosas; faça o teste e veja se precisa se cuidar


Síndrome do Olho Seco surge por questões ambientais como exposição à fumaça (cigarro e poluição do ar), ficar muito tempo em locais com ar-condicionado, clima seco e uso excessivo de computador.

Cerca de 40% da população brasileira acima dos 60 anos de idade, mesmo sem predisposição, pode desenvolver doenças nos olhos. Os números são do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Mas não são só idosos que sofrem com problemas oculares. Os mais comuns vão desde a Síndrome do Olho Seco até doenças como o glaucoma que, se não forem diagnosticadas e tratadas adequadamente, podem até causar cegueira.
Algumas causam desconforto e outras são silenciosas e perigosas, mas a maioria das doenças pode ser resolvida se o problema for identificado logo no início. Assim, a melhor prevenção é a consulta periódica ao oftalmologista e nunca se automedicar ou comprar óculos sem receita.
“Há uma série de doenças nos olhos que não dão sintomas. O ideal é ir a uma consulta na qual o médico irá medir a pressão dos olhos e fazer um mapeamento da retina”, afirma o oftalmologista Francisco Max Damico, do Hospital Sírio e Libanês, de São Paulo.

Você sabe como está a saúde dos seus olhos?

Doenças oculares causam desconforto, porém, a maioria pode ser resolvida se identificada no início. A melhor prevenção é a consulta periódica ao oftalmologista.
O médico Francisco Max Damico, oftalmologista do Hospital Sírio Libanês,  afirma que se a pressão do olho estiver muito alterada, é possível que a pessoa sofra um glaucoma, por exemplo. Quando isso acontece, os neurônios dos olhos morrem e não são substituídos. Por isso a importância de se diagnosticar o problema precocemente.
“A pessoa pode achar que o problema que está sentindo é apenas uma necessidade de aumento no grau dos óculos, ou vista cansada, e que é só trocar as lentes. Só que nem sempre é só isso. Pode ser o começo de uma degeneração macular, de uma catarata ou de um glaucoma, como falei”, alerta Damico.
O médico lembra que as pessoas têm dificuldades de acessar o sistema de saúde pública e, mesmo pelo convênio, podem demorar para agendar a consulta, assim, acabam desistindo de ir ao oftalmologista. “Para piorar, alguns fatores, como a facilidade em se comprar óculos em farmácias, mesmo sem receitas, também colaboram. Eles são encontrados em graus que vão de um a três. A pessoa vai testando até achar um que fica ‘bom’. Daí, compra e usa, sem acompanhamento especializado”.

Quando começar

Segundo o cirurgião-oftalmologista Renato Augusto Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, e autor do livro “Seus Olhos” (Editora CLA), a primeira visita ao oftalmologista deve acontecer até os seis primeiros meses de vida. Depois, a criança deve ser examinada entre os quatro e os seis anos e novamente na adolescência, entre 12 e 15 anos.
“Quando não há problemas de visão a serem tratados, a pessoa pode seguir consultando um médico oftalmologista a cada três anos até completar 40 anos, faixa etária na qual as visitas passam a ser a cada dois anos. Só a partir dos 60 é que o check-up oftalmológico deve acontecer anualmente. Obviamente, na existência de qualquer doença ocular, o médico oftalmologista é quem irá determinar a regularidade com que precisa acompanhar o paciente”, ensina Neves.

Glaucoma

O glaucoma é uma doença causada pela lesão do nervo óptico relacionada a pressão ocular alta. Pode ser crônica ou aguda. Damico conta que nos Estados Unidos, 50% das pessoas que têm glaucoma desconhecem esse fato; no Brasil, 75% a 90% também desconhecem. Ou seja, a cada dez pessoas com o problema, oito podem não saber.
“Não há um sinal claro, mas o problema vai crescendo e, aos poucos, a pessoa vai perdendo a visão periférica. Quando se chega aos 70%, o campo visual vai se fechando e não tem como recuperar a visão. É um ladrão silencioso, entra e vai roubando aos poucos e quando a pessoa perceber, já levou a visão”, alerta Damico.
Neves lembra que o glaucoma pode danificar as fibras dos nervos ópticos lenta e progressivamente, levando ao desenvolvimento de pontos cegos.

E quais seriam os sintomas? “Vale ressaltar que, por ser uma doença silenciosa, mais da metade das pessoas que têm glaucoma desconhece o fato. Mas, em geral, quem tem pode apresentar vista embaçada ou perda súbita da visão; dor forte no olho; dor de cabeça; formação de auréolas de arco-íris ao redor de luzes; náuseas e vômitos”, diz Neves.
É importante frisar que o problema, se descoberto no início, pode se tratado com simples gotas de um colírio que faça baixar a pressão, lembra Damico.
Esse medicamento é o meio, até o momento, mais seguro de manter o controle da pressão do olho e, como já foi comprovado que o controle da pressão retarda a evolução do glaucoma, é necessário o uso contínuo desse tipo de colírio para proteger o olho da lesão.

Como identificar e tratar

Neves afirma que exames regulares, realizados por um oftalmologista, é a melhor forma de se detectar o glaucoma, já que medem a pressão intraocular (tonometria), inspecionam o ângulo de drenagem do olho (gonioscopia), avaliam qualquer lesão ao nervo óptico (oftalmoscopia) e testam o campo visual de cada olho (perimetria).
“Para quem já tem glaucoma, colírios, remédios e intervenções cirúrgicas são empregados para prevenir ou deter a ocorrência de mais lesões. Os exames periódicos são fundamentais para prevenir a perda da visão”, conta Neves.
Ele explica as formas de tratamento, começando com o medicamentoso: o glaucoma costuma ser controlado com o uso de um colírio aplicado várias vezes ao dia, às vezes combinado com medicações ingeridas oralmente. Tais medicamentos diminuem a pressão ocular, retardando a produção do humor aquoso dentro do olho e melhorando o fluxo que sai pelo ângulo de drenagem.
“A cirurgia a laser pode ser eficaz para diferentes tipos de glaucoma. No de ângulo aberto, o próprio ângulo de drenagem é tratado – sendo que o laser serve para aumentar o dreno e controlar a pressão. Já no de ângulo fechado, o laser cria um furo na íris (iridotomia) para melhorar o fluxo de humor aquoso para o ângulo de drenagem”, esclarece o diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos.
A terceira opção é a cirurgia convencional, porém, neste caso, a ideia central é controlar o glaucoma criando um novo canal de drenagem, a fim de que o humor aquoso (líquido transparente que preenche o espaço entre a córnea e a íris) saia do olho e a pressão possa baixar, se estabilizando. Esse procedimento é chamado de trabeculectomia.

Olho seco

Segundo Damico, o olho seco é um dos problemas oculares mais comuns e surge especialmente por questões ambientais como exposição à fumaça (cigarro e poluição do ar), ficar muito tempo em locais com ar-condicionado, clima seco e uso excessivo de computador.
Neves concorda: “Uma das causas mais comuns, hoje em dia, é o uso do computador associado aos efeitos do ar-condicionado e da poluição. A pessoa que fixa os olhos no monitor por muito tempo acaba piscando menos e ressecando os olhos”.
Ele esclarece que as lágrimas têm origem em várias glândulas e formam uma película na superfície do olho. São compostas por água, sais minerais, proteínas e gorduras. O olho seco pode ter várias causas, mas geralmente está associado a uma deficiência ou ausência nessa composição ou ainda nas glândulas lacrimais.
“Pessoas com síndromes autoimunes (síndrome de Sjogren, artrite reumatoide ou lúpus, por exemplo) ou que fazem uso de determinados medicamentos podem vir a sofrer de olho seco”, afirma Neves.
Como as lágrimas são essenciais para a saúde dos olhos, outros problemas podem surgir, comprometendo a visão. Neves afirma que a Síndrome do Olho Seco acomete entre 50% e 90% das pessoas que usam computador no trabalho ou em longos períodos de estudo – podendo ser bastante desgastante e resultar em fadiga física, declínio da produtividade, queda de resultados positivos, aumento de erros e, muito frequentemente, problemas na visão que vão desde coceira nos olhos até uma grave irritação.
Os sintomas mais comuns – e que costumam afetar os dois olhos – segundo Neves são: sensação de queimação ou de que os olhos estão grudados logo pela manhã; irritação ou fadiga ocular; sensibilidade aumentada para ambientes claros e iluminados; vermelhidão; coceira; sensação de haver areia nos olhos; períodos de lacrimejamento excessivo; visão embaçada ao final do dia ou depois de trabalhar por longos períodos na frente do computador.
Segundo Neves, o tratamento da síndrome do olho seco é basicamente apoiado na lubrificação artificial do olho: “Por isso, recomendamos o uso de lágrimas artificiais, ou seja, de lubrificantes oculares, sob a forma de colírio ou pomada. Eles tendem a aliviar os sintomas e, geralmente, não costumam ter efeitos adversos. É indispensável, porém, identificar as causas do distúrbio para poder controlar assertivamente o problema e isso só pode ser feito por um profissional”.

Menopausa

Damico destaca que mulheres após os 50 anos representam um grupo representativo com o problema e o maior motivo seria a menopausa. “De dez casos, nove serão com elas, porque a flutuação nos hormônios, especialmente do estrogênio, afeta a produção dos componentes aquosos e oleosos das lágrimas”.
“Muitos estudos estão sendo realizados para definir a razão por que a Síndrome do Olho Seco aflige quase que exclusivamente as mulheres – embora haja casos em crianças e homens. Mas, pode estar relacionado às alterações hormonais da perimenopausa (que antecede a menopausa). Por isso, a investigação tem envolvido os campos da bioquímica, fisiologia, imunologia, endocrinologia e biologia molecular e tem levado a uma visão única para o controle da função da glândula lacrimal e meibomiana”, explica Neves.

Ele acrescenta que, em princípio, diferenças relacionadas aos gêneros se devem a mudanças na estrutura e na função da glândula lacrimal e que alguns estudos mostram um papel importante dos hormônios sexuais. Mulheres com falência prematura dos ovários têm maior propensão a apresentar danos na superfície ocular e sintomas de olho seco do que mulheres com função ovariana normal de idade comparável, por exemplo. “Embora não haja estudos conclusivos, essas são as evidências mais claras”, afirma.

Degeneração macular

Damico ainda chama a atenção para outro problema comum entre os mais velhos: a degeneração macular. Trata-se de uma doença que provoca uma perda gradativa da visão na região central do olho. Ela surge por causa do envelhecimento das células da retina e é a causa mais comum de cegueira a partir dos 65 anos, mas pode surgir já aos 50 anos.
“A perda da visão central afeta a leitura, o dirigir, assistir a televisão, fazendo até com que os idosos sofram quedas dentro de casa e se machuquem. Esse problema causa depressão e muitas pessoas acabam não saindo mais de casa, por exemplo”, encerra.

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