Collor desafia que provem sua ligação com imóveis alvo da Operação Arremate


Senador disse que PGR foi comandada por ‘alcoólatra desqualificado e sociopata’

Alvo da Operação Arremate, que cumpriu mandados de busca na semana passada, o senador Fernando Collor de Mello (Pros-AL) reagiu ontem (14) no plenário do Senado, contra a invasão de sua residência por equipes da Polícia Federal. Collor assegurou no discurso em tom indignado que nada tem a ver com as aquisições de imóveis em leilões que serviriam para lavar R$ 6 milhões de dinheiro ilícito supostamente obtido pelo ex-presidente. E desafiou que demonstrem “um único liame crível a esse respeito”, ao dizer que a Procuradoria Geral da República (PGR) foi comandada por “alcoólatra desqualificado e sociopata”.

Collor chamou de sórdida a acusação, ao denunciar que houve vazamento seletivo de informação de forma cruel. E declarou que sentimentos da perplexidade à indignação se afloraram rapidamente em virtude da divulgação dos dados sigilosos da operação.

Para o senador, a Operação Arremate foi uma tentativa criminosa de ligar coisa alguma a lugar nenhum, tentando lhe utilizar, “de forma espúria, como ponte imaginária”.

“Não tenho absolutamente nada a ver com essas aquisições! Sequer há um indício que se possa levar a sério, nesse aspecto! Desafio a que mostrem as provas, abram o jogo e discutam à luz do dia. Deixem o ambiente de sigilo e da fofoca. Exibam fatos. Procurador não é juiz, ilação não é prova, suspeição não é sentença”, reagiu Collor, ao discursar no plenário.

O senador declarou que deveria haver obrigatoriamente algum indício veemente da prática de delitos, e não mera suposição, para justificar a quebra do direito absoluto da inviolabilidade de seu lar, em prol de um interesse maior, que é o interesse social.

“E exatamente por essa razão, mil buscas houvesse na minha residência, mil vezes sairiam de lá de mãos vazias, como de fato saíram, porque não tenho a mínima vinculação com os fatos ali noticiados, repito”, reforçou.

‘Sociopata’ na PGR

Em referência clara à revelação feita pelo ex-PGR Rodrigo Janot teria ido armado ao Supremo Tribunal Federal para matar o ministro Gilmar Mendes, Collor disse que o Brasil tomou conhecimento, recentemente, por confissão espontânea, que a PGR tinha em sua primeira cadeira um “alcoólatra desqualificado, um sociopata”.

E citou conversas vazadas criminosamente entre agentes que atuaram na Lava Jato, divulgadas pelo The Intercept Brasil, como exemplo de “atropelo da Constituição Federal por agentes públicos que se apresentavam como imparciais”.

“As linhas trôpegas da imputação que ora farpeio, não têm melhor origem! Por igual, outras tantas aberrações ao processo penal foram reveladas ao mundo pelo Intercept Brasil, onde o discurso de jacobinos e maniqueístas, que se utilizavam da prerrogativa de procuradores da República, demonstraram a inversão de conceitos e subversão de institutos no acusar, arbitrariamente enxergando o que na Constituição e nas leis não se escreveu, embora ao ver daquele Ministério Público lá devesse estar”, criticou.

Basta no estado policialesco

Collor disse que o processo penal não pode converter-se em instrumento de arbítrio estatal, nem de palanque a serviço da conveniência autopromocional de inquisidores ocasionais e justiceiros de plantão. “[O Senado] agora não pode se furtar a por freios definitivos nesse desregramento”, declarou o senador.

“Se o basta não for concretizado pela legislação ordinária, que o façamos através da Carta da República, a fim de que o estado policialesco, o arbítrio, a irresponsabilidade e a insegurança jurídica não façam do processo penal sua perene morada. É hora de fazer voltar a valer a força do direito ao invés do direito da força; é hora de voltar a prevalecer a autoridade do argumento ao invés do argumento da autoridade”, defendeu o senador.

Fonte: Gazetaweb

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