A VITÓRIA DA FORÇA DO QUERER


A VITÓRIA DA FORÇA DO QUERER – de Glória Perez

“A Força do Querer”, por trás dos cenários e das magníficas interpretações, exercidas por atores estreantes ou maduros na profissão, mostrou temas relevantes e que muito têm sido debatidos pela sociedade.

Nos closes maravilhosos orientados pelo diretor de fotografia, o diálogo, o comportamento e os assuntos são coisas do cotidiano.

Levado para TV em forma de novela – “A Força do Querer -, com bem elaborado roteiro, despertou emoções no telespectador, em vários momentos, e até pode ter produzido exageros, coisas do cinema, etc, porque a novela não deixa de ser um filme em série. Uma fantasia cujo final nem sempre é o que se imagina. O que é um pensamento dos grandes diretores da cinematografia mundial, que de qualquer modo entenderam que o final resume o filme, e afirmavam que a surpresa do fim pode ser primorosa, acima da concepção dos cinéfilos ou telespectadores.

Com efeito, a novela assinada por Glória Perez conquistou a grande audiência que hà tanto tempo a TV Globo não festejava. Baseada em fatos reais, seguiu os passos na colocação de assuntos que pareceram demasiadamente explorados, o que para uns seria uma agressão a sociedade.

No início entendi assim. Depois vi que não era bem assim. As agressões estão muito mais em movimentos ativistas, que, incentivados por líderes que desejam impor vontades pessoais ao mundo, geram ao contrário, o afastamento do cidadão comum. Exemplo disso estão fatos recentes de agressões a cultura brasileira, com ofensas implícitas ou explícitas, à infancia, a moral e aos costumes. Esse é o grande problema que pensei poderia ter contaminado o trabalho da autora.

Mas não contaminou. Na verdade, com reflexões, Gloria Perez resumiu muito bem seu objetivo tratado na sua obra: Diferenças e Tolerância, coisa que não se tem visto muito por aqui. Mas outros fatores, criminosos, omissos, ideológicos, fanáticos e contrários ao próprio ordenamento jurídico do país, estão contribuindo para um estado muito mais de anarquia do que de mudanças racionais.

Gloria Perez alerta de forma inteligente o que ninguém vê, mas é o que acontece na vida real.

Coisas ruins e piores acontecem no Brasil diariamente e não se vê muito esses ativistas externarem suas opiniões com a mesma força com que defendem suas causas.

De formação religiosa, cristã, brasileiros não aceitam essa imposição, exatamente pelo modo como estão conduzindo essas concepções.

Por outro lado, o suspense, opção dos filmes do cineasta inglês Alfred Hitchcock, para quem, afinal, era o caminho mais acertado para atrair a constante atenção dos seus filmes, foi bem usado em muitos momentos na Força do Querer. Hitchcock, com sua criatividade, levou muita gente aos majestosos cinemas da época, como os Palácios cariocas e paulistas, até aos não tanto imponentes mas grandes salas de cinema de cidades menores, como Rio Branco, no Acre e Manaus no Amazonas, entre o resto de outras capitais.

Com os avanços tecnólogicos na produção, os “takes”, apesar de diferentes das “tomadas” do passado, hoje com mil e um recursos nas lentes e nos equipamentos, a novela de hoje é um filme.

Glória Perez está de parabéns por mais esta obra que entregou à telenovela brasileira. Até hoje, vi umas12 novelas (nunca fui um noveleiro). Porém, dentro de minhas exigências pessoais, de Janet Clair e Dias Gomes, a autora de “A Força do Querer”, não tenho dúvida, fez um dos seus mais importantes trabalhos, no tema escolhido.

Acreana de boa cepa, pegou o exemplo de Hitchcock, que em seus filmes sempre fazia uma ponta, e substituiu por referências ao seu Estado natal, o Acre, até mesmo no seu último capítulo. E todos que aqui moramos, ficamos orgulhosos disso.

Pensando bem, Gloria Perez conseguiu unir partes da Amazônia brasileira com suas menções ao Pará, Amazonas, e outras lugares que abrigam quem nasceu ou gosta da Amazônia. Mas o foco central estava no Rio de Janeiro, com seu crime organizado, com sua violência, mas também com seu charme de uma cidade de todos os brasileiros. Ela soube mostrar que nas comunidades existe uma grande maioria de pessoas de bem, humildes, simpáticas e alegrea.

O que dá vontade de rir é que um Senhor Ministro do STF entendeu que “A Força do Querer” glamorizou o crime organizado. Parece que entre outras grandes obras do cinema americano, ele não viu o Poderoso Chefão, de Francis Copola, premiadíssimo com indicações ou conquistas de melhor diretor, roteirista ou melhor filme, como Apocalypse Now; o Poderoso Chefão, parte II e III e Paton.

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