A VERDADE SOBRE O NÚMERO DE MORTOS NO TRÂNSITO


Há muito tempo que se tenta saber quantas pessoas morrem todos os anos no trânsito brasileiro, quantas ficam com invalidez permanente ou simplesmente feridas.

Talvez agora que a imprensa está tão focada em saber os dados precisos da Covid-19, passada a pandemia, seja possível ter acesso a esses números para saber a situação real da epidemia da violência no trânsito.

Atualmente, há muitas especulações, mas nenhum número é preciso. No site do Denatran há anos que não consta nenhuma informação sobre acidentes, mortos e feridos. O Ministério da Saúde também não dá destaque ao tema.

A melhor fonte para entender as tendências é o Relatório Anual do DPVAT. Entretanto, os números não representam acidentes ocorridos naquele ano. Isto porque, o benefício pode ser utilizado até três anos após o acidente.

É possível estimar, pelos dados do DPVAT, que pelo menos 40 mil pessoas morreram em 2019, mais de 230 mil ficaram com invalidez permanente e praticamente 80 mil receberam indenização por despesas médicas.

Entretanto, quando se compara a média de mortos por feridos com a de outros países a situação complica. Nos EUA e na Espanha, a média de feridos por mortos é de 70 pessoas. No Brasil, o número mais confiável, ainda que com restrições, é da Polícia Rodoviária Federal, onde a média de feridos por mortos foi de 15 em 2019. Quase cinco vezes menos. Indício de sub-notificação, afinal, a frota brasileira é antiga, com menos itens de segurança que possam reduzir os feridos nos acidentes.

Mas não para por aí, em 2014 foram registradas nas rodovias federais 169.195 acidentes, com 368.500 pessoas envolvidas. Em 2015 os acidentes diminuíram de forma inexplicável para 122.007 e as pessoas envolvidas para 268.733, quase 100 mil a menos.

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