A insistência crônica da debilidade


Insistência crônicaVolta e meia nos deparamos com situações que sempre nos remetem a um “Déjà vu”, basta-nos um evento na cidade ou ausência dele, as mídias e os debates mesquinhos se fanfarram de insultos e textos depreciativos (quase sempre sem nenhuma novidade, muda-se apenas no objeto, os adjetivos são os mesmos), como se seus autores tivessem um prazer profano em disseminar uma ira coletiva. “É uma crítica construtiva, estilo de escrita”, afirmam os defensores, como se estivéssemos falando de um Drummond ou Machado (imagino o que falariam desse “estilo”).

A criticidade é algo inerente ao homem, ou pelo menos deveria ser, contudo, a “a crítica pela crítica” se torna banal, ferramenta da ausência de argumentos e/ou ações, a “crítica pela crítica” torna-se maléfica, tão pior quanto o ato criticado. Voltaire, o pai das liberdades foi um grande fomentador da criticidade humana, buscou suscitar o senso crítico, fugindo da alienação corriqueira. Mesmo Voltaire defendia uma crítica participativa, com busca de soluções, atraindo para o autor a responsabilidade por seu posicionamento e o compromisso de ser, também, instrumento de mudança. Gritar por gritar, os porcos também o fazem.

Já ouvimos falar que, quando temos algo que não aceitamos em nós, e vemos esse defeito em outra pessoa, isso nos causa um incômodo intenso. E muitas pessoas vão externar esse incomodo atacando o outro. Há quem fale até que tudo que você não gosta em outra pessoa, tudo que você critica, é exatamente um defeito que você tem. O outro é apenas um espelho seu, refletindo o que você não gosta em si mesmo.

Esse é um ponto de vista interessante. Acredito que a necessidade de criticar e julgar o outro, nem sempre é porque carregamos o mesmo defeito, mas certamente está diretamente ligada a questões de autoestima que nós temos. Claramente são dificuldades de lidar com frustrações, sonhos não realizados e decepções humanas.

A necessidade de se elevar, de se sentir superior levando a uma irresistível vontade de falar dos defeitos alheios como se disséssemos “eu sou melhor do que fulano que tem tal defeito”.
Ainda mais quando esse defeito está semiconsciente ou inconsciente, ou quando é algum defeito que tentamos reprimir, mas que no nosso íntimo está latente. Hum… quando vemos no outro, sentimos raiva, vontade de falar mal, pensamentos de julgamento vem à tona.

4 Comentários

  1. Aurineide fevereiro 22 às 20:18

    Além de textos inteligente e relevantes em nosso contexto atual, esse professor sabe "alfinetar " aqueles que se acham sábios e donos de razão.

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  2. Flor fevereiro 22 às 20:25

    MELHOR TEXTO QUE VOCÊ JÁ ESCREVEU. TUDO ISSO É A FORMAÇÃO DO CARÁTER HUMANO. SHOW PROFESSOR.

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  3. juci fevereiro 22 às 21:26

    Me. celio leandro da silva fico anautecida com seu artigo que nos leva a refletir antes de terce uma crítica, como sempre nos deixando a refletir, PARABÉNS.

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  4. Anísio Gorayeb fevereiro 22 às 23:03

    Parabéns pelo belíssimo texto, grande mestre e historiador Celio Leandro.. Simplesmente irretocável. Aplausos

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