QUEM COMANDA QUEM E O QUE?


O exemplo que o ex-presidente Lula dá aos brasileiros confirma que todo réu foge da realidade e não assume a responsabilidade pelo que, por exemplo, as investigações no âmbito da Policia Federal e do Ministério Público, conclusas e levadas aos juizados de primeira instância e segunda instância, provam.

Réus comuns, mas, e principalmente, bandidos de alta periculosidade, abastados pelos seus ilícitos financeiros de grande monta, que incluem sonegadores, lavadores de dinheiro, chefe de quadrilhas, traficantes, usurpadores do poder público, enfim, aproveitadores da nação brasileira, já se tornaram frequentes cada vez mais. Ficam impunes uma vida, protegidos pelos acentuados e inúmeros recursos aos Tribunais, meramente protelatórios, sob a égide constitucional que define o transitado em julgado como ponto final da punição ou não, porque no Brasil sempre existe um jeitinho legal.

Contratar bons e bem articulados advogados é para quem tem dinheiro, muito dinheiro, ou então recebe favores de quem favoreceu em outros tempos. Entretanto, a Corte Suprema da República parece agir muito mais por pensamentos ou interesses pessoais, ideológicos, partidários ou até mesmo por amizades, nos recursos que põem as vezes conclusões favoráveis ao paciente das defesas. Quase sempre assim, como tem ocorrido ultimamente. Simples assim? Não, a Corte resiste por aqueles que veem suas atribuições com outros olhos e vontades.

O seriado Lula, na vida real, é mais profundo do que o Netflix explora e não se encerra com sua prisão. Os “mecanismos” são amplos, envolvem volumes de dinheiro desviado expressivo e parte, quem sabe, ainda não descoberto nos paraísos fiscais. Igualmente, participam criminosos já investigados, identificados e outros no curso de investigações. Políticos, de hoje e de ontem, empresários dos mais diversos ramos da economia e gente que produz cultura e gera imagens com suas ações favoráveis aos bandidos amigos, ou seus beneficiadores.

Vivem nos bons botecos e restaurantes de Copacabana, bebendo uma cerveja para distrair e falar mal de todos, defendendo aqueles que lhes permitiram acúmulos fáceis de patrimônios e alegres turismos nas capitais do mundo, notadamente da maravilhosa Europa.

O que mais impressiona, por outro lado, são comportamentos agressivos do partido que o ex-presidente lidera. Sugerem desobediência civil, obstruem a justiça, ofendem magistrados, exigem cumprimento das leis que não cumprem, falam em estado democrático de direito, são controversos sem fundamentos e se respaldam muitas vezes em fanáticos ou pseudos juristas que contestam, assinam abaixo assinados, vão para a mídia…, mas as defesas dos denunciados não conseguiram produzir peças jurídicas que provassem o contrário das acusações.

Quanto ganham esses defensores? Ninguém sabe porque o corporativismo protege alguns profissionais. Não importa de onde vêm os recursos, mas que eles recebam, ainda que comprovadamente são pecúnias ilícitas, cujas origens podem ser de propina ou do próprio tesouro nacional, pelas suas instituições.

Lula está preso, mas ficam ainda questionamentos. Quem comandou e comanda tudo isso? Lula, talvez, pelo seu carisma e vocação para o oportunismo. Pelos cargos poderosos que já exerceu e pelas relações internacionais fortalecidas pela maior empresa do país. Os lobbys em seu favor foram e ainda são muitos.

Todavia, outras eminências pardas, com cabeças pensantes em termos acadêmicos, atuam por trás desse líder. Gleise Hoffman, aloprada e incentivadora da violência, da desobediência civil, da obstrução da Justiça? José Dirceu, condenado e solto por benefício das leis ou de interpretações jurídicas divergentes? Gilberto Carvalho, o incentivador do MST? Celso Amorim, o diplomata radical que não enriqueceu a diplomacia brasileira?

A resposta se aproxima do seguinte: todos esses e tantos outros (a lista é grande) influíram muito na vida de Lula. Inclusive juristas de renome. E continuam a influir, manejando as massas com volume de moedas conhecido e jabaculês ainda não somados o seu total. O Resultado está em ações como a que vimos no final de semana, com Lula protegido na embaixada que ele criou, apoiou e tudo programado com antecipação de anos, para lhe servir de abrigo e apoio forte de trabalhadores, a partir do Estado mais forte do país, que ele escolheu para morar e trabalhar. Trabalhar? Aqui a conversa se confunde nos objetivos.

Não resta dúvida que é muito triste ver o fim de Lula dessa maneira, com repercussão mundial. Ele teve tudo para se reeleger e cumprir o que prometeu em suas campanhas de outrora. A cobiça foi mais forte. O consolo é que o Brasil é mais poderoso do que tudo. Como outros países, de ideologias identificadas com o partido de Lula, ou não, como tem-se visto em tempos recentes, que puniram seus corruptos, com algema e tudo. Somos muito mais cordiais e tolerantes.

Carlos Esteves – publicado no falandoaverdade.com

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